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Repórteres Sem Fronteiras querem investigação a morte de jornalistas russos na RCA

Alexander Shcherbak/Getty

Jornalista russo Orhan Dzhemal, o repórter de imagem Kirill Radtchenko e o documentarista Alexandre Rasstorgouïev foram encontrados mortos na República Centro-Africana nesta segunda-feira

Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) exigiram nesta quarta-feira às autoridades da Rússia e da República Centro-Africana (RCA) que efetuem uma "investigação séria" sobre o assassínio de três jornalistas russos no país africano, em que estariam alegadamente envolvidos mercenários russos.

O jornalista russo Orhan Dzhemal, o repórter de imagem Kirill Radtchenko e o documentarista Alexandre Rasstorgouïev foram encontrados mortos na RCA, na segunda-feira, quando investigavam a presença de um grupo de mercenários da Wanger, uma empresa paramilitar russa, de acordo com informações obtidas por RSF.

Os Repórteres Sem Fronteiras explicaram em comunicado que um grupo de "homens armados não identificados" matou os jornalistas "na noite de 29 para 30 de julho" perto de Sibut, cidade localizada 300 quilómetros a norte de Bangui, capital da RCA. A nota dos RSF afirma que, na tarde de terça-feira, o porta-voz do Governo da RCA, Ange Maxime Kazagui, disse que "nove sequestradores que não falam francês ou sango (língua franca do país)", confiscaram o veículo dos jornalistas a 23 quilómetros de Sibut, pouco antes de os executar a tiro.

O Governo da RCA soube destes factos através do testemunho do motorista dos três jornalistas, que conseguiu escapar, apesar dos ferimentos que sofreu. O portal de investigação online "TsOuR" - cujo proprietário é o ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, um dos principais adversários do Presidente russo, Vladimir Putin - confirmou ter pedido um documentário aos três jornalistas.

Os RSF denunciaram o "reforço considerável" da presença militar de Moscovo na RCA desde a retirada do exército francês em outubro de 2016 e enfatiza que os militares russos ocupam-se da segurança do Presidente Faustin-Archange Touadéra. O exército russo também oferece formação para as forças armadas da RCA e o Governo de Putin entregou-lhes "importantes suprimentos de armas" entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018, em pleno conflito interno, que sucede desde 2013, segundo os RSF.

O grupo Wagner foi criado pelo cidadão russo Dmitri Outkine, antigo oficial do GRU, serviços secretos militares da Rússia.
De acordo com a imprensa ucraniana, a Wagner que não está legalizada porque as empresas militares privadas são proibidas na Rússia, esteve muito ativa na Ucrânia, onde terá apoiado os separatistas pró-russos, em 2014. As atividades da Wagner foram também detetadas no conflito sírio, desde 2015, onde as forças regulares russas apoiam o regime de Damasco.