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Internacional

Protestos no Zimbabué. Militares abrem fogo e matam pelo menos três pessoas

ZINYANGE AUNTONY/GETTY IMAGES

Apoiantes da oposição protestavam na capital, Harara, contra o resultado das eleições de segunda-feira, que deram a vitória ao partido no poder, do Presidente Emmerson Mnangagwa

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos três pessoas foram mortas esta terça-feira pelo Exército do Zimbabué durante um protesto contra os resultados das eleições, confirmou a polícia à televisão estatal. Ainda não há informações sobre o número de feridos.

Desde terça-feira que a polícia do Zimbabué circulava nas ruas da capital, Harare, com canhões de água para prevenir protestos e uma eventual escalada da violência. Algo que, a julgar pelos acontecimentos de hoje, não terá resultados. Os apoiantes da oposição destruíram semáforos e montras de lojas e a polícia acabou a responder com gás lacrimogéno.

Vários militares do Exército chegaram mais tarde, transformando a cidade naquilo a que muitos se referiram como um autêntico “campo de batalha”. Três pessoas foram atingidas a tiro. Emmerson Mnangagwa começou por apelar à calma numa mensagem no Twitter - “Chegou o tempo de mostrar responsabilidade e acima de tudo, chegou o tempo da paz. Neste período crucial, apelo a todos para pararem as declarações provocadoras (…) Devemos dar mostras de paciência e de maturidade” - mas acabou a culpar a oposição pela morte dos três manifestantes. Em comunicado emitido ao final desta tarde, Mnangagwa disse considerar o MDC e a “sua liderança responsáveis por interromperem a paz nacional”.

O Movimento para a Mudança Democrática, na oposição, e os seus apoiantes, contestam o resultado das eleições presidenciais de segunda-feira, que deram a vitória ao partido no poder desde 1980, a União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica (ZANU-PF), do Presidente Emmerson Mnangagwa. Alegam que houve irregularidades, a começar desde logo pelo atraso na divulgação dos resultados, que consideram ter sido deliberada de modo a favorecer o partido vencedor. O partido liderado por Nelson Chamisa já prometeu levar a comissão eleitoral do país a tribunal por causa disso. Outras irregularidades têm sido apontadas, nomeadamente no que diz respeito à não colocação das listas com os cadernos eleitorais em uma em cada cinco assembleias de voto, conforme exige a lei.

Os observadores internacionais que acompanharam as eleições não se pronunciaram sobre eventuais irregularidades, embora tenham admitido que houve alguma parcialidade no que diz respeito à cobertura eleitoral pelos media, bem como “falta de transparência”. “Houve vários aspectos positivos nesta eleições, mas também houve falta de transparência por parte da comissão eleitoral e vários problemas em assembleias de voto no dia das eleições”, afirmou Elmar Brok, líder do grupo da União Europeia que monitorizou as eleições, citado pelo “Washington Post”. Elmar Brok considerou ainda que os atrasos “incompreensíveis” na divulgação dos resultados das eleições afetam a sua credibilidade.

Só esta quarta-feira é que a comissão divulgou os primeiros resultados parciais das legislativas, relativos a 153 das 210 circunscrições do país. A ZANU-PF, partido de Mnangagwa, terá obtido 110 lugares, enquanto o MDC conseguiu 41. Ainda segundo este dados, a ZANU-PF terá obtido a maioria absoluta na câmara baixa do Parlamento do Zimbabué.