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Corbyn pede desculpa por ter participado em evento em que Israel foi comparado aos nazis

John Linton - PA Images/Getty

“Apareci ao lado de pessoas cujas ideias rejeito completamente”, afirmou Jeremy Corbyn, referindo-se a um evento de recordação do Holocausto, realizado em 2010, em que um dos principais oradores comparou as ações de Israel em Gaza às dos nazis em campos de concentração

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista britânico, pediu esta terça-feira desculpa por ter participado num evento, em 2010, em que as ações de Israel em Gaza foram comparadas às dos nazis durante o Holocausto. “Apareci ao lado de pessoas cujas ideias rejeito completamente”, afirmou Corbyn, referindo-se em específico a um judeu que esteve preso no campo de concentração de Auschwitz e que deu a principal conferência do evento sobre o Holocausto, intitulada “Never Again for Anyone – Auschwitz to Gaza”.

Durante o seu discurso, Hajo Meyer comparou repetidas vezes as ações de Israel em Gaza à morte massiva de judeus durante o Holocausto. “Não aceito nem subscrevo as ideias que foram ali partilhas”, afirmou Corbyn. “No passado”, continuou o dirigente político, “e na tentativa de garantir alguma paz ao povo palestiniano e o fim do conflito entre Israel e a Palestina, marquei presença ocasionalmente em eventos com pessoas cujas opiniões rejeito totalmente. Peço desculpa pela tensão e ansiedade que isso causou”.

O mea culpa de Corbyn foi aplaudido pelo deputado trabalhista John Mann, que em entrevista ao programa “Today” da BBC Radio 4 disse não saber como é que Corbyn participou num evento que “quebra toda as normas de decência”, mostrando-se ainda assim satisfeito com o seu pedido de desculpas. John Mann disse ainda que o Partido Trabalhista deve adotar integralmente a definição de antissemitismo defendida pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, de que fazem parte vários países, incluindo Portugal, enquanto membro observador.

De tempos a tempos, Jeremy Corbyn é acusado de ser condescendente em relação ao discurso antissemita que circula dentro do seu partido (vários membros foram já suspensos, expulsos ou forçados a demitir-se por declarações que fizeram contra judeus) e de não defender a comunidade judaica no Reino Unido.

Recentemente, foi também criticado pela comunidade judaica por ter manifestado no Facebook, em 2012, o seu apoio a um artista que pintou um mural no bairro de Tower Hamlets, na zona este de Londres, em que se viam judeus a jogar monopólio em cima de vários trabalhadores nus. Depois disso, Avi Gabbay, líder do Partido Trabalhista israelita, suspendeu as suas ligações com os parceiros britânicos. Corbyn tem tentado, no entanto, limpar a sua imagem e a do seu partido nesse aspecto, daí também este pedido de desculpas.