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Internacional

Caso Brunson. Trump impõe sanções sobre dois ministros do Governo turco

Abdulhamit Gul, ministro da Justiça, um dos membros do Governo de Ancara visados pelas sanções aplicadas pelos Estados Unidos

Anadolu Agency/Getty

Todos os ativos detidos pelos dois ministros em território dos Estados Unidos foram congelados

Os Estados Unidos decidiram, nesta quarta-feira, impor sanções sobre dois ministros do Governo da Turquia. O motivo para as medidas está na detenção em prisão domiciliária, pelas autoridades de Ancara, do padre protestante norte-americano Andrew Brunson, acusado de prosseguir atividades terroristas. Washington tem insistido na libertação do pastor, mas sem resultado até agora.

O anúncio das sanções, que dão seguimento a ameaças anteriores de Donald Trump, foi feito por Sarah Huckabee Sanders, a assessora de imprensa da Casa Branca. Os alvos são os ministros da Justiça, Abdulhamit Gul, e do Interior, Suleyman Soylu, ambos referenciados pelos Estados Unidos como tendo desempenhado "papéis de liderança" na detenção de Brunson.

"Não vemos qualquer prova de que o padre Brunson tenha feito algo de errado e acreditamos que está a ser vítima de uma detenção injusta por parte do Governo turco", afirmou Sanders, citada pela Bloomberg. Sobre as sanções, esclareceu que foram adotadas sob a orientação do Presidente.

Um tribunal turco recusou nesta terça-feira suprimir o regime de prisão domiciliária imposto ao pastor. Na segunda-feira, o advogado de Andrew Brunson tinha pedido a sua libertação junto da instância judicial, e ainda o fim da proibição de deixar o território da Turquia. No entanto, um tribunal de Izmir (oeste) rejeitou estes pedidos, segundo a agência turca Anadolu.

As relações entre a Turquia e os Estados Unidos, os dois maiores exércitos da NATO, atravessam um período de forte tensão motivada pela situação de Brunson, detido durante 21 meses num estabelecimento prisional turco, até que na semana passada foi colocado em prisão domiciliária por motivos de saúde.

Brunson, que vive há mais de 20 anos na Turquia, foi detido em outubro de 2016 por "terrorismo", uma acusação que tem negado. Na quinta-feira, Donald Trump ameaçou a Turquia com "grandes sanções" caso o religioso não seja libertado "de forma imediata".

As sanções agora anunciadas vão ser aplicadas sob o regime do Global Magnitsky Act, de 2016, que prevê a possibilidade de os Estados Unidos perseguirem indivíduos, empresas ou outras entidades envolvidas em corrupção ou abusos dos direitos humanos em qualquer parte do mundo. Todos os ativos detidos por aqueles dois ministros em território dos Estados Unidos foram congelados e quaisquer entidades norte-americanas do país ficam proibidas de fazer negócios com os governantes abrangidos.