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Antigo diretor de campanha de Trump “mentiu” e colocou-se “acima da lei”

Mark Wilson/Getty Images

Esta foi uma das acusações dirigidas a Paul Manafort no primeiro dia de julgamento. Manafort terá tentado esconder dezenas de milhões de dólares em 30 contas bancárias em três países diferentes. O ex-consultor político declarou-se inocente de todas as acusações

O antigo diretor da campanha eleitoral de Donald Trump “mentiu” e colocou-se “acima da lei”. Esta foi uma das acusações dirigidas a Paul Manafort no primeiro dia de julgamento. Manafort terá tentado esconder dezenas de milhões de dólares em 30 contas bancárias em três países diferentes.

O ex-consultor político enfrenta 18 acusações, incluindo fraude bancária, e arrisca uma pena de até 30 anos de prisão se for considerado culpado. Manafort declarou-se inocente de todas as acusações.

Na terça-feira, Manafort, que chefiou a campanha de Trump durante três meses, foi acusado pelo Ministério Público de usar inúmeras contas para escapar ao pagamento de impostos. O dinheiro seria usado para financiar um estilo de vida com propriedades, carros, roupas e outros itens, incluindo um relógio de 21 mil dólares (cerca de 18 mil euros) e um casaco feito a partir de uma avestruz na ordem dos 15 mil dólares (quase 13 mil euros).

Um advogado de Manafort disse, na sua declaração de abertura, que o caso era “sobre impostos e confiança” e sobre a confiança “equivocada” do seu cliente no antigo sócio Rick Gates. “Gates estava com a mão no pote. O Paul não sabia que Rick estava a encher os bolsos”, concretizou.

Alegado conluio com Rússia não será julgado

Apesar de também estar envolvido no caso, o que será julgado não é a alegada ingerência da Rússia nas presidenciais norte-americanas de 2016 ou o eventual conluio com a campanha de Trump. No entanto, é expectável que se tente apurar se Manafort sabia dos esforços russos em influenciar as eleições e se a ameaça de condenação poderá levá-lo a cooperar com o procurador especial Robert Mueller.

Entre os americanos acusados até agora na investigação de Mueller, Manafort é não apenas aquele que ocupava a mais elevada posição na campanha de Trump, mas também quem tinha as ligações mais profundas a políticos e forças políticas alinhadas com a Rússia. Ainda assim, Manafort não deu qualquer indicação de que pretende ajudar na investigação ou de que tem informações para o fazer.

No entanto, de acordo com o jornal “The New York Times”, se Manafort souber algo que interesse a Mueller e escolher fazer um acordo judicial, a sua cooperação poderá ajudar os procuradores a perceberem melhor o modo como a Rússia interveio nas eleições e como a campanha de Trump, consciente ou inconscientemente, interagiu com os responsáveis russos.