Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Satélites de espionagem detetam nova atividade em fábrica de mísseis da Coreia do Norte

DigitalGlobe/38 North/Getty Images

Fotografias e imagens em infravermelho mostram veículos a entrarem e a saírem do complexo que produziu os primeiros mísseis balísticos intercontinentais do país, capazes de atingir os EUA. A informação recolhida pela agência Reuters parece consolidar a notícia avançada esta segunda-feira pelo jornal “The Washington Post”, mas surge em contraciclo com os desenvolvimentos da semana passada, quando Pyongyang começou a desmantelar um local de teste de mísseis

Satélites norte-americanos de espionagem detetaram nova atividade na fábrica da Coreia do Norte que produziu os primeiros mísseis balísticos intercontinentais do país, capazes de atingir os EUA. A informação foi avançada esta segunda-feira à agência Reuters por um responsável americano sob a condição de anonimato.

De acordo com a fonte, fotografias e imagens em infravermelho mostram veículos a entrarem e a saírem do complexo de Sanumdong, ainda que não permitam apurar em que estágio de desenvolvimento poderá estar a construção de um míssil. Um camião e um atrelado coberto, semelhantes aos que Pyongyang já usou para transportar os seus mísseis, foram detetados no material fotográfico.

Na segunda-feira, o jornal “The Washington Post” noticiava que o regime norte-coreano parecia estar a construir um ou dois novos mísseis balísticos intercontinentais no largo complexo situado nos arreadores da capital Pyongyang. O jornal citava fontes não identificadas ligadas aos serviços de inteligência.

A Casa Branca recusou comentar as novas suspeitas, enquanto um alto funcionário do gabinete presidencial da Coreia do Sul informou que os serviços de inteligência de ambos os países estão a seguir de perto as movimentações norte-coreanas. Seul não fez, no entanto, qualquer comentário específico.

Atividades contraditórias em Pyongyang

As novas informações surgem em contraciclo com os desenvolvimentos da semana passada, quando a Coreia do Norte começou a desmantelar um local de teste de mísseis, conforme acordado na cimeira histórica de junho entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un. A conclusão resultava da análise de imagens de satélite e constava de um relatório publicado pelo grupo de monitorização 38 North.

Segundo o especialista Joseph S. Bermudez Jr., o trabalho de desmantelamento teria começado nas duas semanas anteriores e incluiria a desmontagem de um posto de testes na estação de lançamento de mísseis de Sohae. Um outro complexo, onde eram montados veículos de lançamento espacial, também começara a ser desmantelado. O especialista afirmava tratar-se de “um importante primeiro passo no cumprimento do compromisso assumido por Kim Jong-un”.

No entanto, ainda não era claro se a Coreia do Norte planeava arrasar por completo o complexo de Sohae, que tem sido vital para o desenvolvimento do programa nuclear do país. Nas imagens de satélite, instalações importantes, como depósitos de combustível, um edifício de montagem e uma torre, permaneciam intactas.