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Salvini ataca “ONG estrangeiras e deputados de esquerda mal informados”. E nega que Itália tenha devolvido migrantes à Líbia

Antonio Masiello/Getty

Denúncia foi feita por uma ONG e um deputado italiano. Matteo Salvini nega que a Guarda Costeira italiana tenha liderado essa operação

Um navio italiano que resgatou na segunda-feira 108 migrantes no Mediterrâneo transportou-os de volta para a Líbia. Mas o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, desmentiu esta terça-feira as acusações da ONG Proactiva Open Arms e do deputado Nicola Fratoianni, negando a intervenção do executivo nesta operação. “A Guarda Costeira italiana não coordenou nem participou em nenhuma destas operações, tal como foi falsamente declarado por ONG estrangeiras e deputados de esquerda mal informados”, escreveu Matteo Salvini no Facebook.

De acordo com o governante e também líder do partido nacionalista de extrema-direita Liga, a guarda costeira líbia salvou e fez regressar nas últimas horas 611 imigrantes. “As ONG de protesto e contrabandistas perderem o seu negócio? Tudo bem, vamos continuar assim”, acrescentou.

A denúncia foi feita pelo deputado italiano Nicola Fratoianni, do partido de esquerda Liberi e Uguali, que disse desconhecer se a operação navio Asso Ventotto 28 – uma embarcação de apoio a uma plataforma de petróleo – foi solicitada pela guarda costeira italiana. “Isso seria extremamente grave. A lei internacional prevê que as pessoas resgatadas no mar devem ser levadas para um porto seguro e a Líbia não pode ser considerada como tal”, afirmou Nicola Fratoianni, citado pelo jornal “Corriere della Sera”.

Segundo o deputado, o alerta foi dado pelo fundador da organização não-governamental (ONG) Proactiva Open Arms, Òscar Campos no Twitter. “O navio Asso 28, com a bandeira italiana, resgatou 108 pessoas nas águas internacionais e agora estão a deportá-los para a Líbia, um país onde os direitos humanos não são respeitados. E sem hipótese de terem asilo ou abrigo”, escreveu o ativista na rede social.

Em causa estará uma violação da lei internacional, segundo Òscar Campos, uma vez que a Convenção de Genebra prevê que os migrantes resgatados não possam regressar a países em guerra ou que apliquem pena de morte e tortura.

Entretanto, a empresa proprietária da embarcação italiana veio esclarecer que recebeu ordens das autoridades líbias e que o transporte dos migrantes – incluindo cinco crianças e cinco grávidas – decorreu com normalidade. “Não houve incidentes ou protestos dos migrantes resgatados, mesmo quando eles foram transbordados no barco da Guarda Costeira da Líbia no porto de Trípoli”, garantiu a companhia de navegação italiana.