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Internacional

Facebook identifica tentativas de interferência nas eleições intercalares de novembro nos EUA

Mark Zuckerberg passou dois dias a ser interrogado pelos representantes do povo norte-americano sobre questões de privacidade relacionadas com a sua rede social, o Facebook

SHAWN THEW/epa

O Facebook vai anunciar ter identificado “uma campanha coordenada” de influência política nas eleições intercalares norte-americanas, que se realizam a 6 de novembro, e nas quais todos os assentos da Câmara dos Representantes se discutem, tal como cerca de um terço dos lugares do Senado. Já foram banidas 32 contas na rede social

Há dezenas de contas falsas no Facebook criadas para influenciar politicamente as eleições intercalares de novembro deste ano, segundo o diário "The New York Times", que falou com três pessoas presentes na reunião onde foram anunciados os resultados da investigação interna conduzida para averiguar possível ingerência externa através da rede social.

Em comunicado, o Facebook admitiu, pouco depois da notícia do "Times", ter removido esta terça-feira 32 páginas "coordenadas para um ataque de comportamento desapropriado”. Estas contas do Facebook (e também do Instagram, que é parte do grupo) estariam a criar vários eventos de protesto na capital dos Estados Unidos, Washington, D.C., com o único propósito de polarizar ainda mais temas que já dividem bastante a sociedade.

A empresa revela que, desde maio de 2017 estas páginas criaram cerca de 30 eventos e pagaram um total de 11 mil dólares (cerca de 9.500 euros) por 150 anúncios. Mais de 290 mil pessoas seguiram pelo menos uma destas páginas.

Vários responsáveis da empresa estiveram reunidos com deputados em Capitol Hill durante toda a semana para os informar das suas suspeitas que, segundo o mesmo jornal, recaem sobre a Rússia, ainda que não tenha sido possível provar, para já, a sua influência nestes casos. A Agência de Pesquisa para a Internet, uma organismo russo, tinha sido indicada pelos Serviços de Informações norte-americanos como principal culpada da ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016. E, tal como naquele ano, quem quer que seja que esteja a tentar interferir nas notícias e nos conteúdos que as pessoas consomem no Facebook está a focar-se em assuntos sociais, aqueles que mais dividem os eleitores.

Segundo as pessoas que falaram com o "New York Times", há grupos a planear uma espécie de segunda edição do protesto "Unite The Right", que juntou, em agosto passado, vários grupos extremistas de direita na cidade de Charlottesville - e durante o qual uma mulher foi atropelada e morta. Um outro tema que está a merecer a atenção dos analistas informáticos do Facebook, que estão a trabalhar com o FBI, é o movimento #AbolishICE, que pede o fim da Agência de Imigração e Alfândegas por, na opinião dos apoiantes deste movimento, desrespeitar os direitos dos imigrantes.

Em 2016, o Facebook tornou-se a principal plataforma de propaganda destes grupos e quer evitar estar associado a um novo "desastre". Desta vez, o Facebook está a pedir a todos os grupos políticos que queiram colocar anúncios no Facebook que se registem com uma morada norte-americana e está a usar inteligência artificial bem como um batalhão de pessoas para detetar contas falsas e multiplicação viral de mensagens políticas.

Numa entrevista com vários repórteres no início de julho, o chefe de cibersegurança do Facebook não disse se a empresa detetou ou não, de novo, influência russa. "Sabemos que há russos e outros agentes com más intenções que irão continuar a abusar da nossa plataforma - antes das intercalares, durante as intercalares, depois das intercalares e durante vários eventos políticos e eleições", disse Nathaniel Gleicher.