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Chefe da polícia de Londres diz que pessoas de classe média que consomem cocaína são “hipócritas”

Cassidy Dick, chefe da Polícia Metropolitana de Londres, considera que as pessoas que se preocupam com o aquecimento global, a proveniência da sua comida e um comércio mundial mais justo mas não com os efeitos que o consumo de cocaína tem para as multiplas camadas de gente envolvida na sua produção e distribuição estão a ser “hipócritas”

No Reino Unido, apenas no último ano, mais de 875 mil pessoas consumiram cocaína, segundo o último relatório das autoridades. É o valor mais alto nos últimos dez anos e representa um aumento de 15% em relação aos números referentes a 2016. Para a chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Cassidy Dick, um dos problemas é a displicência com que a “classe média ou o que lhe quiserem chamar” aborda o problema.

“Há um grande desafio que é este grupo grande de pessoas de classe média - ou como lhes quiserem chamar - que se preocupam com o aquecimento global, com o comércio mais justo, com questões ambientais e com comida orgânica mas não se preocupam com o mal que fazem consumindo consumindo cocaína. Há muita miséria nessa cadeia de abastecimento”, disse a comissária, citada pelo diário “The Guardian”.

David Lemmy, deputado pela zona de Tottenham, apoia a posição de Dick dizendo que o consumo de cocaína entre as classes mais privilegiadas está a aumentar, munindo-se de números da Interpol e da Europol. Para ele - e não só para ele - o consumo e a venda de estão diretamente associados à onda de violência que tem afetado as ruas de Londres. A maioria das vítimas, e já foram mais de 87 desde o início do ano, morreram esfaqueadas, baleadas e de outras mortes violentas e algumas nem tinham 20 anos.

John Coles, diretor da Unidade de Operações Especiais da Agência Anti-Crime, considera que são as atividades de gangues ligadas ao tráfico de droga “o combustível deste pico de violência em Londres”.

A comissária revelou também que o consumo de droga na capital britânica é um problema que “extravasa em muito as capacidades da polícia” e que “a intensa procura está a colocar muitos desafios” às autoridades.

Do outro lado do espectro monetário, disse Dick, estão vidas destruídas por causa do tráfico dando exemplo de uma rusga a um bairro onde a venda de “crack” é comum e de onde os seus agentes saíram “absolutamente chocados” com as condições em que as pessoas vivem. E deu também um outro exemplo: “Conheci uma menina no outro dia que me disse estar muito preocupada com a parafernália - bom ela não usou esta palavra - mas com a parafernália de drogas que eram vendidas nas escadas de sua casa”.

Só desde abril deste ano a Polícia Metropolitana de Londres já conduziu mais de 10 mil rusgas, recolhendo 1.200 facas, 140 armas e 450 outros objetos perigosos. Dick defende que os polícias parem e revistem pessoas na rua, apesar de alguns críticos defenderem que os cidadãos negros acabam por ser desproporcionalmente afetados por estas ações. A comissária garantiu que mais de 200 pessoas foram presas através deste método.