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Bombista suicida de Manchester tinha sido salvo da guerra da Líbia por um navio britânico três anos antes de cometer o ataque

Leon Neal/GettyImages

Salman Abedi, o homem que, dia 23 de maio de 2017 se fez explodir na Manchester Arena, matando 22 pessoas, tinha sido salvo por um navio britânico da guerra cívil líbia três anos antes de cometer o mais grave atentado terrorista em solo britânico da última década

O culpado pelo maior ataque terrorista em solo britânico na última década foi salvo da violência desencadeada pela guerra civil na Líbia por um navio britânico, cerca de três anos antes de se ter feito explodir na Manchester Arena. Nesse dia, 22 pessoas morreram e 120 ficaram feridas.

Em 2014, quando a guerra civil contra Muammar Kadhafi matava dezenas todos os dias, Salman Abedi e o seu irmão, Hashem, estavam de férias na Líbia, onde os pais residiam. Ambos nasceram no Reino Unido e, por isso, quando o Ministério dos Negócios Estrangeiro desviou o navio HMS Entreprise para o porto de Tripoli para resgatar cidadãos britânicos que ainda estivessem no país, ambos aproveitaram para escapar.

Na altura com 19 anos, Abedi já era um nome conhecido das autoridades britânicas mas, mesmo assim, foi-lhe autorizado o embarque no navio britânico. Em Malta, apanhou um voo de regresso ao Reino Unido, de acordo com informações prestadas ao diário britânico “The Daily Mail”.

No mesmo artigo, o diário escreve que os Serviços de Informações britânicos estavam a planear discutir a ameaça que o jovem representava. A reunião estava marcada para apenas nove dias depois de Abedi ter-se feito explodir depois do concerto de Ariana Grande.

“Que este homem tenha cometido um ato de terror tão atroz em solo britânico depois de o termos salvo da Líbia é um ato da mais tremenda traição”, disse uma fonte do governo ao “Daily Mail”.

O pai de Abedi, Ramadan, ter-se-á juntado à revolta contra Kadhafi, em 2011, mas não é certo que algum dos seus filhos se tenha juntado a ele nessa luta ou se terão ficado ambos com a mãe, que na altura residia na Tunísia. Fontes das secretas contactadas pelo jornal britânico garantem que Abedi não teria sido ainda radicalizado na altura em que o navio britânico o salvou, permitindo o seu regresso seguro a casa.

Salman Abedi estudou Gestão na Universidade de Salford mas desistiu dos estudos. Terá depois sofrido uma “lavagem cerebral” através da internet, onde consumia dezenas de horas de vídeos que explicavam como fazer bombas e outras páginas ligadas a grupos terroristas, acreditam os mesmos responsáveis. “Ele não era uma ameaça e eram outros tempos”, cita o diário.

David Anderson, advogado, consultor independente na área do terrorismo e conselheiro das autoridades britânicas nesta matéria, elaborou um relatório após a explosão mortal em Manchester e, nesse documento, é referido que Abedi foi investigado pela primeira vez em janeiro de 2014, sete meses antes de ter sido resgatado da Líbia por se ter relacionado com um outro indivíduo na altura na mira das autoridades. Em outubro de 2015 voltou aos radares quando contactou com uma figura proeminente do extremismo islâmico na Líbia, mas nas duas ocasiões o caso foi fechado.