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Antigo diretor de campanha de Trump começa esta terça-feira a ser julgado

Chip Somodevilla/Getty Images

Paul Manafort enfrenta 32 acusações de fraude bancária e fiscal decorrentes do seu trabalho como consultor político na Ucrânia, ainda antes da campanha do atual Presidente dos EUA. Apesar de não ser esse o caso em julgamento, é expectável que se tente apurar se Manafort sabia dos esforços russos em influenciar as eleições americanas e se a ameaça de condenação poderá levá-lo a cooperar com o procurador especial Robert Mueller

O julgamento de Paul Manafort, ex-diretor de campanha do atual Presidente dos EUA, começa esta terça-feira. Manafort enfrenta 32 acusações de fraude bancária e fiscal decorrentes do seu trabalho como consultor político na Ucrânia, ainda antes da campanha de Donald Trump.

O que será julgado não é a alegada ingerência da Rússia nas presidenciais norte-americanas de 2016 ou o eventual conluio com a campanha de Trump. No entanto, é expectável que se tente apurar se Manafort sabia dos esforços russos em influenciar as eleições e se a ameaça de condenação poderá levá-lo a cooperar com o procurador especial Robert Mueller.

Entre os americanos acusados até agora na investigação de Mueller, Manafort é não apenas aquele que ocupava a mais elevada posição na campanha de Trump, mas também quem tinha as ligações mais profundas a políticos e forças políticas alinhadas com a Rússia. Ainda assim, Manafort não deu qualquer indicação de que pretende ajudar na investigação ou de que tem informações para o fazer.

No entanto, de acordo com o jornal “The New York Times”, se Manafort souber algo que interesse a Mueller e escolher fazer um acordo judicial, a sua cooperação poderá ajudar os procuradores a perceberem melhor o modo como a Rússia interveio nas eleições e como a campanha de Trump, consciente ou inconscientemente, interagiu com os responsáveis russos.

Paul Manafort tentou evitar ir a julgamento. Sem sucesso

No mês passado, um juiz federal do estado da Virgínia rejeitou a pretensão de Manafort de que as acusações que recaem sobre si na justiça fossem abandonadas. Em causa está o facto de Manafort contestar a autoridade de Muller para liderar investigações contra si.

Manafort acredita que as acusações que já resultaram da investigação de Mueller ao alegado conluio entre a equipa do atual Presidente dos EUA e russos próximos do Kremlin não têm razão de ser, uma vez que caem fora do âmbito da investigação. O juiz não concordou.

O antigo diretor de campanha também tinha argumentado que Mueller excedera a sua autoridade porque o caso não tinha a ver com a alegada interferência russa. A decisão foi tomada pelo juiz T.S. Ellis III, que anteriormente tinha criticado a equipa de Mueller, questionando se esta estava a promover a acusação para ver se conseguia que Manafort testemunhasse contra Trump.

Os procuradores argumentaram que Mueller estava dentro da sua autoridade, citando um documento, de agosto de 2017, do vice-secretário da Justiça, Rod Rosenstein, em que este autorizava Mueller a investigar as ações de influência feitas por Manafort em benefício do regime ucraniano derrubado, pró-russo, e os crimes financeiros relacionados.