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Partido de ex-campeão de críquete diz poder formar coligação no Paquistão

AAMIR QURESHI/Getty

Uma dúzia de partidos anunciou na sexta-feira à noite, após uma reunião em Islamabad, que ia organizar manifestações para contestar os resultados eleitorais

O partido do ex-campeão de críquete Imran khan afirma dispor de assentos suficientes na Assembleia Nacional paquistanesa para formar Governo em coligação com os deputados independentes e de outros partidos, anunciou nesta segunda-feira um dos seus porta-vozes. "Obtivemos o número de mandatos necessário para formar um Governo [federal]", o que permitirá a Imran Khan tornar-se primeiro-ministro, declarou Fawad Chaudhry à imprensa.

O Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI, o partido de Imran Khan) conquistou 115 assentos parlamentares nas eleições legislativas, um resultado melhor que o esperado, mas aquém dos 137 necessários para ter a maioria absoluta na Assembleia (que tem um total de 272 lugares). "Temos agora o apoio de 168 deputados, e o PTI está numa posição confortável para formar um Governo federal", frisou o porta-voz.

Três outras grandes formações, entre as quais a Liga Muçulmana Paquistanesa (PML-N), no poder nos últimos cinco anos, e o Partido do Povo Paquistanês (PPP), que aí esteve entre 2008 e 2013, anunciaram hoje, pela voz de um antigo primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani (PPP), que serão uma oposição forte no parlamento.

Uma dúzia de partidos anunciou na sexta-feira à noite, após uma reunião em Islamabad, que ia organizar manifestações para contestar os resultados eleitorais. O PML-N, que participou nessa reunião e se classificou em segundo lugar no escrutínio, com 64 mandatos, ficou de anunciar no domingo que se juntava a esse movimento, o que até agora não fez. Tanto o PML-N como o PPP rejeitaram os resultados das legislativas, afirmando que se registaram fraudes.

A missão de observação da União Europeia, embora considerando os resultados "credíveis", apontou a existência de "restrições à liberdade de expressão" e "flagrante ausência de igualdade" durante a campanha eleitoral, estimando que o escrutínio não tinha estado "à altura" das últimas legislativas, em 2013. Os Estados Unidos também expressaram "preocupações devido a irregularidades" durante a campanha.

O partido de Imran Khan, cuja clara vitória põe termo a décadas de alternância entre o PML-N e o PPP, intercaladas por períodos em que os militares estiveram no poder, é acusado de ter beneficiado de um forte apoio do exército. No final da semana passada, Naeem ul Haq, representante do PTI, afirmou esperar que o antigo campeão de críquete tome posse como primeiro-ministro "antes de 14 de agosto".