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Oposição em Itália denuncia “espiral racista” no país, Governo nega

A atleta italiana Daisy Osakue

Adam Nurkiewicz/Getty

Nos últimos 45 dias registaram-se mais de uma dezena de ataques a estrangeiros em Itália, o mais recente dos quais teve como alvo a campeã italiana sub23 de lançamento do disco, Daisy Osakue, de origem nigeriana

A oposição em Itália considerou nesta segunda-feira que os ataques contra estrangeiros ocorridos nas últimas semanas resultam de uma "espiral racista" no país, resultante da "propaganda racista", mas o governo negou e atribuiu os incidentes ao excesso de imigrantes.

Nos últimos 45 dias registaram-se mais de uma dezena de ataques a estrangeiros em Itália, o mais recente dos quais teve como alvo a campeã italiana sub23 de lançamento do disco, Daisy Osakue, de origem nigeriana, ferida num olho hoje de madrugada depois de desconhecidos lhe atirarem ovos de um carro em andamento.

O Partido Democrata (PD, centro-esquerda) pediu hoje a presença no Parlamento do ministro do Interior, Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita nacionalista Liga, para explicar as medidas que pretende tomar "para erradicar estes fenómenos que parecem aumentar, alimentados pela propaganda racista".

"Existe uma espiral racista preocupante que tem de ser reconhecida. Quem não reconhece este problema transforma-se num cúmplice", afirmou o secretário-geral do PD, Maurizio Martina, que anunciou para setembro uma grande manifestação nacional em resposta ao "clima de ódio".

Salvini respondeu qualificando o "alarme racista" de "invenção da esquerda": "Os italianos são boas pessoas, mas a sua paciência acabou. Eu, como ministro, trabalho há 58 dias para dar segurança e calma às nossas cidades", disse.

A ministra dos Assuntos Públicos, Giulia Buongiorno, também da Liga, afirmou por seu turno que "o único alarme é o caos criado pelas decisões equivocadas da abertura das portas a qualquer tipo de imigração", segundo uma entrevista ao La Repubblica publicada hoje.

Também o líder do Movimento 5 Estrelas, que integra a coligação de governo com a Liga, e ministro do Trabalho, Luigi di Maio, recusou haver um "alarme racista" e afirmou tratar-se de "um argumento da esquerda" para atacar Salvini.

Um relatório da comissão parlamentar italiana sobre Intolerância, Xenofobia e Racismo, divulgado a 06 de julho, concluiu que a maioria dos italianos pensa que a taxa de imigrantes no país é de 30%, quando na realidade é de 8%. O mesmo estudo concluiu que mais de metade dos italianos considera que "um bairro degrada-se quando há muitos imigrantes" (56,4%) e que "o aumento de imigrantes favorece a difusão da criminalidade e o terrorismo" (52,6%).

Um quadro, lê-se no documento, que "demonstra a existência de uma pirâmide de ódio baseada em estereótipos, representações falsas, insultos e linguagem hostil" que leva a "um nível superior de discriminação e de discurso e crimes de ódio".