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Eleições presidenciais no Mali marcadas por violência e baixa afluência às urnas

ISSOUF SANOGO/AFP/Getty Images

O Governo considerou a situação “satisfatória” e referiu “pequenos incidentes de segurança ou casos de força maior, ligados ao clima, que impediram a realização da votação nalgumas zonas muito localizadas”. A comunidade internacional espera do vencedor a revitalização do acordo de paz assinado em 2015 pelo Governo e pelos ex-rebeldes, dominados pelos tuaregues, cuja aplicação acumula atrasos

As eleições presidenciais deste domingo no Mali foram marcadas por alegados ataques jiadistas, sobretudo no norte e centro do país, e baixa afluência às urnas. De acordo com observadores eleitorais e jornalistas da AFP, a taxa de participação foi fraca, enquanto o Governo considerou a situação “satisfatória”.

Em comunicado, o primeiro-ministro Soumeylou Boubèye Maïga referiu “pequenos incidentes de segurança ou casos de força maior, ligados ao clima, que impediram a realização da votação nalgumas zonas muito localizadas”. Segundo a televisão pública, que cita o Ministério da Segurança Interna, “os incidentes impediram a votação em 105 secções” num total de mais de 23 mil.

Devido à insegurança, “61 secções não puderam abrir em Mopti e Tombuctu”, regiões onde os materiais eleitorais foram “apreendidos” em 18 secções, ainda de acordo com a tutela. Os incidentes ocorreram sobretudo nas áreas rurais e apesar da mobilização de mais de 30 mil membros das forças de segurança nacionais e estrangeiras.

Na região norte de Kidal, uma secção de voto foi fechada durante breves momentos na sequência de disparos de um grupo ligado à Al-Qaeda, que não provocou vítimas. A correspondente da France 24 em Bamako, Christelle Pire, disse que, ao reivindicar o ataque, o grupo sublinhou que as eleições não passam de “um jogo que os franceses pretendem instalar” no país, considerando Mali “um novo boneco”.

Revitalização do acordo de paz de 2015?

Os primeiros resultados são esperados nas próximas horas e os resultados oficiais para 3 de agosto, havendo a possibilidade de uma segunda volta a 12 de agosto.

Os habitantes deste vasto país da África Ocidental, que contabiliza cerca de vinte etnias, poderão reeleger o Presidente Ibrahim Boubacar Keïta, de 73 anos, ou eleger um dos seus 23 adversários, entre os quais, o líder da oposição Soumaïla Cissé ou ainda a única candidata mulher, Djeneba N'Diaye.

A comunidade internacional, presente militarmente com a força francesa Barkhane, que assumiu a operação Serval, lançada em 2013 contra os terroristas e com as forças de paz da ONU, espera do vencedor destas eleições uma revitalização do acordo de paz assinado em 2015 pelo Governo e pelos ex-rebeldes, dominados pelos tuaregues, cuja aplicação acumula atrasos.

Apesar deste acordo, a violência jiadista não apenas persistiu como se espalhou do norte para o centro e sul do país (que tem cerca de 18 milhões de habitantes) e depois para os vizinhos Burkina Faso e Níger.