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Coreia do Sul investiga alegada deserção de 12 norte-coreanas

ED JONES/GETTY IMAGES

A comissão responde assim ao pedido feito pelas Nações Unidas há menos de um mês para que a saída das norte-coreanas fosse devidamente investigada, depois de ter sido avançado pelas autoridades de Pyongyang que as 12 mulheres foram raptadas

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Coreia do Sul vai investigar se as 12 norte-coreanas que chegaram ao país em 2016, naquela que começou por ser considerada “a maior deserção de cidadãos norte-coreanos” desde que Kim Jong-un assumiu o poder, fizeram-no contra a sua vontade e a mando do gerente do restaurante para o qual trabalhavam, na cidade de Ningbo, na China.

A comissão responde assim ao pedido feito pelas Nações Unidas, há menos de um mês, para que a saída das norte-coreanas fosse devidamente investigada, depois de ter sido avançado pelas autoridades de Pyongyang que as 12 mulheres foram raptadas. O próprio gerente do restaurante, Heo Gang-il, admitiu numa entrevista à estação de televisão local JTBC ter enganado as empregadas a pedidos dos serviços secretos sul-coreanos.

À mesma estação televisiva, três das mulheres confirmaram a informação - disseram ter sido ameaçadas pelo gerente e não ter quaisquer intenções de ficar na Coreia do Sul, querendo, sim, voltar para casa. Uma delas revelou, aliás, que só percebeu o que estava a acontecer quando viu que estavam a dirigir-se para a embaixada da Coreia do Sul na Malásia, onde receberam passaportes com nomes falsos, tendo viajado a partir dali para o aeroporto de Incheon, na Coreia do Sul.

Assim que se soube que as 12 empregadas norte-coreanas tinham abandonado a China e chegado à Coreia do Sul, o Ministério da Unificação da Coreia do Sul classificou a sua saída como “a maior deserção” de cidadãos norte-coreanos desde que Kim Jong-un assumiu o poder - admitindo também, contudo, não ter falado com as mulheres para perceber o que tinha, de facto, acontecido.

Embora vivam na Coreia do Sul perto de 30 mil refugiados norte-coreanos, são raras as deserções em tão grande número, sobretudo de cidadãos que trabalham em restaurantes fora do país, que recebem fundos de Pyongyang e são por isso considerados uma elite, escreve o britânico “The Guardian”. De acordo com o “Rodong Sinmun”, o jornal oficial de Pyongyang, a controvérsia em torno deste caso pode vir a levar ao cancelamento da próxima reunião de famílias separadas pela Guerra da Coreia (1953-1956), agendada para o próximo mês.

Na referida entrevista, Heo Gang-il disse ainda ter começado a trabalhar como espião depois de alguns colegas seus terem sido executados numa purga política. No entanto, terá sido descoberto por um cliente do restaurante que geria. Foi ameaçado e decidiu então fugir para a Coreia do Sul, levando as 12 empregadas consigo sob ordens dos serviços secretos sul-coreanos. “Disseram-me para trazer toda a gente comigo, mas eu disse-lhes que era impossível. Disse que era muito arriscado porque se a Coreia do Norte descobrisse seria muito perigoso. Disseram-me para trazer as pessoas custasse o que custasse”, revelou o gerente noutra entrevista, à CNN.