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China. “Czar da Internet” acusado de corrupção

JOHANNES EISELE/GETTY IMAGES

Antigo chefe da Administração do Ciberespaço da China, Lu Wei abandonou o cargo em junho de 2016. Era conhecido como o “czar da Internet”, por dispor de poderes para controlar a informação que circulava online. Durante o seu mandato, meios de comunicação locais e estrangeiros foram punidos por divulgar informações críticas do governo e da economia chinesa e vários bloggers foram detidos

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O antigo chefe da Administração do Ciberespaço da China, Lu Wei, foi oficialmente acusado esta segunda-feira de ter recebido grandes quantidades de dinheiro em subornos enquanto ocupava aquele cargo, noticiou o jornal “Global Times”, que cita um comunicado da Suprema Procuradoria do Povo.

Lu Wei, também ex-vice-chefe do departamento de publicidade do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC), foi expulso do partido em fevereiro, acusado de tomar decisões “arbitrárias e tirânicas”, e de “usar o seu poder de uma forma desavergonhada para ter relações sexuais”. Também foi acusado de “se aproveitar dos cargos que exercia para obter benefícios para si e para terceiros”, conforme se lia no comunicado emitido então pelo PCC, no qual se dizia, além disso, que Lu Wei era “extremamente desleal e desonesto” Em nenhum momento Wei se pronunciou sobre as alegações que recaem sobre si.

Enquanto responsável nacional pelos conteúdos a que a população chinesa tinha acesso na Internet, Lu Wei tornou-se conhecido por impor fortes restrições à circulação de informação. Chamavam-lhe o “czar da Internet”. Pouco tempo depois de assumir o cargo, em abril de 2013, vários conhecidos utilizadores do Weibo, uma das maiores redes sociais na China, terão recebido convites para “beber chá” com funcionários do governo - convites que foram encarados como um exercício de controlo e extremo escrutínio.

Ainda durante o seu mandato, empresas estrangeiras como a Microsoft, a Qualcomm e a Apple viram-se confrontadas com vários obstáculos burocráticos, nomeadamente no que diz respeito a novas exigências para submeter os seus produtos a diversos mecanismos de segurança. Os media locais e estrangeiros foram punidos por divulgar informações críticas do governo e da economia chinesa e foram detidos vários bloggers. A revista “Time” chegou a considerá-lo uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

“Lu Wei sintetizou a nova atitude da China em relação ao controlo do discurso e da Internet sob a presidência de Xi Jinping”, disse David Bandurski, editor do programa de investigação “China Media Project”, da Universidade de Hong Kong, ao “Quartz”. Lu Wei abandonou o cargo em junho de 2016 por razões que nunca foram tornadas públicas e em novembro do ano passado as autoridades chinesas anunciaram estar a investigá-lo.

Um ex-membro do comité do PCC do Ministério das Finanças, Mo Jiancheng, e o ex-vice-diretor do Comité Permanente do Congresso do Povo Provincial de Hebei, Zhang Jiehui, também foram acusados de corrupção, segundo o comunicado da Suprema Procuradoria do Povo. Ainda não foram anunciadas datas para os julgamentos.