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Zimbabwe. Mugabe regressa de surpresa e aconselha o voto

SIPHIWE SIBEKO/REUTERS

Na véspera das eleições, o antigo ditador do Zimbabwe entra na corrida: Robert Mugabe diz em quem não vai votar (Emmerson Mnangagwa, seu antigo braço-direito) e inclina-se para Nelson Chamisa (do partido seu histórico opositor). O país vai a votos esta segunda-feira

A menos de 24 horas das primeiras eleições presidenciais e legislativas depois da sua saída de cena, o antigo homem forte do Zimbabwe, Robert Mugabe, entra em ação para tentar influenciar o resultado da decisão de mais de cinco milhões de eleitores.

Mugabe deu na manhã deste domingo uma conferência de imprensa em sua casa, em Harare, para dizer que não irá votar em Emmerson Mnangagwa nas presidenciais. Este era o seu vice-presidente até novembro do ano passado, quando foi apeado do poder, que manteve durante 37 anos. Mugabe tem hoje 94 anos.

"Não posso votar naqueles que me têm maltratado. Farei a minha escolha entre os outros 22 candidatos", disse Mugabe aos jornalistas, num encontro que não fora anunciado com antecedência.

Quando foi forçado a abandonar a liderança, no final do ano passado (num processo rocambolesco, pois tinha como opositora a primeira-dama, Graça), Mugabe foi substituído pelo até aí seu antigo braço direito, Emmerson Mnangagwa. Este é hoje o favorito nas sondagens.

A recusa a Mnangagwa é, de resto, extensiva a outros seus antigos correligionários de partido. "Não posso votar no Zanu-PF" (a União Nacional Africana do Zimbabwe-Frente Patriótica, a força no poder desde a independência do país, em 1980), reforçou Mugabe.

Uma espécie de 'vira-Chamisa'

Mugabe, único líder do Zimbabwe desde que o país independente sucedeu à Rodésia do Sul (de início como primeiro-ministro e depois como Presidente da República), falou na manhã deste domingo como se nunca tivesse governado com a mão de ferro que lhe foi garantindo a perpetuação no poder. "Pela primeira vez, temos uma longa lista de aspirantes", disse o antigo Presidente.

Depois de ter deixado claro em quem não votaria, Robert Gabriel Mugabe, o herói da luta pela independência que acabou a sua vida política contestado pela maioria da população, abriu o jogo e indicou qual é agora o seu candidato preferido. “O que resta? Chamisa”, disse, dando assim um voto de confiança a Nelson Chamisa, de 40 anos, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), força de oposição ao regime de Mugabe.

"Ele parece estar bem nos comícios e, se ele for eleito, desejo-lhe o melhor", disse Mugabe de Chamisa, que considerou o “único candidato viável”.

O antigo Presidente declara-se convertido às regras do jogo democrático. “Espero que a votação de amanhã afaste o Governo militar e traga de volta a constitucionalidade ao país.”

E acrescentou Mugabe: "Que amanhã seja a voz do povo a dizer que nunca mais vamos experimentar um período em que o Exército é usado para colocar uma pessoa no poder."