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Erdogan organiza cimeira com Rússia, França e Alemanha em setembro

GIANLUIGI GUERCIA / EPA

O Presidente turco explica que este encontro tem como objetivo resolver conflitos regionais, especialmente na Síria

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, vai organizar uma cimeira com a participação da Rússia, França e Alemanha em Istambul, para resolver conflitos regionais, especialmente na Síria, divulgaram este domingo os meios de comunicação locais.

"A 7 de setembro, seremos anfitriões da cimeira entre Turquia, Rússia, Alemanha e França, em Istambul, e vamos discutir o que podemos fazer. Vamos discutir questões regionais nesta reunião entre os quatro", disse Erdogan, citado pelo jornal "Vatan", ao responder sobre a situação na Síria.

Essas declarações foram feitas por Erdogan durante o voo de volta para a Turquia após a reunião dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Joanesburgo, que decorreu entre quinta e sexta-feiras.

Na cimeira dos BRICS, Erdogan manteve uma reunião bilateral com seu homólogo russo, Vladimir Putin, na qual discutiram questões económicas, bilaterais e de política externa, como a Síria, segundo os media turcos.

Rússia, Turquia e Irão cooperam no chamado processo de Astana para alcançar uma solução para o conflito na Síria, embora Moscovo e Teerão apoiem o regime do Presidente Bashar al-Assad, enquanto a Turquia está a colaborar com as milícias sírias armadas contra Damasco.

Em abril passado, Erdogan realizou uma reunião com Putin e o Presidente iraniano, Hassan Rohani, em Ancara.

Erdogan não citou os Estados Unidos como um possível participante na reunião de Istambul, já que ocorreram inúmeras divergências com Washington, incluindo o apoio dos Estados Unidos às milícias curdas-sírias que Ancara consideram "terroristas".

Sanções não vão fazer a Turquia recuar, palavra de Erdogan

O Presidente turco, em contrapartida, advertiu os Estados Unidos que as sanções não vão forçar Ancara a "recuar" após as ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, pela libertação de um pastor.

"Não podem forçar a Turquia a recuar com sanções", disse Erdogan ao diário turco "Hurriyet", nos seus primeiros comentários publicados, também este domingo, sobre as ameaças de Trump.

O Presidente norte-americano anunciou, na quinta-feira, "sanções significativas" contra a Turquia, se o país não libertar "imediatamente" o pastor Brunson.

"Os Estados Unidos não devem esquecer que podem perder um parceiro forte e sincero como a Turquia se não mudarem de atitude", disse o Presidente turco, cujo país é membro da NATO.

A prisão do pastor norte-americano Andrew Brunson, que organizou uma igreja protestante na cidade de Izmir, é um dos muitos casos que tem prejudicado a relação entre Ancara e

Washington e a ameaça de sanções contra a Turquia aumentou a tensão entre os dois países.

Já na quinta-feira, a Presidência turca havia alertado que Washington "pode não alcançar o resultado desejado ameaçando a Turquia".

O pastor foi colocado em prisão domiciliária na sequência da decisão de um tribunal turco, na quarta-feira, após estar preso desde outubro de 2016 na Turquia.

O julgamento de Andrew Brunson já está a decorrer desde a primavera.

As autoridades turcas acusam-no de terrorismo e espionagem ao religioso Fethullah Gulen, que vive nos Estados Unidos e é acusado de ser o líder na tentativa de golpe de Estado na Turquia em 2016, e ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O pastor, que rejeita as acusações, corre o risco de receber uma pena de até 35 anos de prisão.