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Internacional

Venezuela. Governo nega estar a aplicar um “pacote económico” na mudança da moeda

“Não é um ‘pacotaço’ para enriquecer a poucos em detrimento das grandes maiorias, continuamos a promover o desenvolvimento coletivo, integral, do povo venezuelano e a ser um exemplo em matéria de distribuição, igualdade, inclusão e justiça social”, disse o Ministro do Poder Popular para as Indústrias e a Produção

O Governo venezuelano negou esta sexta-feira estar a aplicar "um pacote" económico à população, ao eliminar cinco zeros ao bolívar, moeda que será separada do dólar para indexar-se à criptomoeda venezuelana petro e ao valor do petróleo.

"Não é um 'pacotaço' para enriquecer a poucos em detrimento das grandes maiorias, continuamos a promover o desenvolvimento coletivo, integral, do povo venezuelano e a ser um exemplo em matéria de distribuição, igualdade, inclusão e justiça social", disse o Ministro do Poder Popular para as Indústrias e a Produção.

Durante uma conferência de imprensa em Caracas, Tareck El Aissami, explicou que está em curso um novo programa económico, baseado na reconversão monetária e na proteção social, através do cartão da pátria (promovido pelo partido do Governo), que subsidia os preços dos bens e serviços, assim como a indexação do bolívar ao petro e a consolidação da estrutura de pagamento eletrónico.

O anúncio feito quinta-feira pelo Presidente Nicolás Maduro, de reconverter a moeda tirando cinco zeros, desligar o bolívar do dólar para indexá-lo ao petro e ligar a criptomoeda venezuelana à cotação do petróleo, está a ser questionado pela população, que diz não conseguir fazer as novas contas, e pelos economistas, que acusam o Governo de improviso.

"O petro não existe como tal, não se pode indexar a algo que não existe, para poder realizar essa indexação tem de haver uma divisa (moeda) reconhecida no mundo e que possa ser trocada em qualquer parte (...). Com o petro não há transações, não se compra, não se troca, não se vende e não se utiliza em nenhum mercado", disse o economista Manuel Sutherland aos jornalistas.

Por outro lado, o economista Víctor Álavez, prémio venezuelano de Ciências, explicou que "é mais fácil agrupar os números de três em três do que tirar cinco zeros em vez de seis" à moeda.

"Não se trata simplesmente de tirar zeros ao bolívar, mas tirar à hiperinflação", frisou, precisando que os anúncios do chefe de Estado revelam que a Venezuela está "às portas de um caos monetário, de um colapso dos meios de pagamento".

Os analistas e economistas reclamam do Governo venezuelano a aplicação de medidas para promover a produção agropecuária local e para combater a hiperinflação.

Várias pessoas disseram esta sexta-feira à agência Lusa que não entendiam como ficaria a moeda, porque "na Venezuela tudo são milhões", que ao reduzir três zeros passam para milhares e a retirada de mais dois zeros cria dificuldades.