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Para explicar assuntos complexos a Trump, Jean-Claude Juncker levou cartões com informação simplificada

SAUL LOEB/Getty

A estratégia poderá ter resultado, a julgar pela satisfação que as duas partes, e em especial o presidente americano, exprimiram no final do encontro

Luís M. Faria

Jornalista

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Paul Juncker, parece ter descoberto a forma de se fazer entender por Donald Trump. Segundo o diário Wall Street Journal, durante o encontro que os dois tiveram na quarta-feira para discutir comércio e sanções, Juncker levou cerca de uma dúzia de cartões que foi passando.

Cada cartão dizia respeito a um tema distinto e continha informação muito resumida e simplificada sobre o que estava em discussão. Números, por exemplo, não podia haver mais de três. "Sabíamos que isto não era um seminário académico. Tinha de ser muito simples", explicou um funcionário europeu ao Wall Street Journal.

Fontes da administração Trump têm repetidamente contado que Trump detesta briefings longos e não gosta de ler memorandos com mais de uma página, preferindo tudo o que tenha elementos visuais a ajudar. Ele próprio reconhece a sua impaciência para explicações longas, colhendo informação sobre muitos assuntos através do que vê na televisão, em especial na Fox News, o seu canal preferido.

No final do encontro com Juncker, Donald Trump disse que tinha sido "um dia muito grande para o comércio livre e justo". Juncker, por sua vez, disse que tinha ido ali para chegar a um acordo e tinha-se chegado a um acordo. Os dois, de facto, chegaram um princípio de acordo, o qual poderá não terminar a guerra comercial contra a Europa que Trump lançou, mas pelo menos suspende-a temporariamente.

Entre várias medidas acordadas, as taxas alfandegárias sobre produtos industriais deverão baixar (vai-se trabalhar nesse sentido), algumas regulamentações serão aligeiradas, por exemplo na área dos produtos médicos. Também se disse que os europeus comprarão mais soja e gás natural aos americanos, embora isso fique dependente do que decidirem empresas privadas nos diversos países da Europa.