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Trump está a lucrar com a presidência? Juiz permite processo para responder a esta pergunta

Chip Somodevilla/Getty

A decisão foi aplaudida por quem defende a ética no governo e se tem escandalizado com os vários conflitos de interesse que envolvem Trump

Luís M. Faria

Jornalista

Um juiz decidiu permitir a continuação de um processo para investigar se o facto de muitos dignitários que vão a Washington tratar de assuntos na Casa Branca ficarem num hotel que pertence a Trump, o Trump Internacional Hotel, viola a a cláusula de "emolumentos" na Constituição. Essa cláusula impede o detentor da Presidência de receber benefícios, seja em que forma for, vindos de gente que lida com o governo.

Os advogados de Trump defendiam que a cláusula se refere a situações de suborno direto e que, portanto, o processo não devia continuar. Mas o juiz Peter Messitte discordou. "Ser proprietário único ou substancial de um negócio que recebe centenas de milhares ou milhões de dólares por ano em rendimento de um dos seus hotéis onde é sabido que se alojam governos estrangeiros ou domésticos (muitas vezes com a intenção expressa de cultivar as boas graças do presidente) cria sem dúvida o potencial para influência indevida e pode bem estar dentro do que as cláusulas contemplam", escreve Messitte na sua decisão.

Notando que seria sempre difícil provar que uma determinada decisão teve a ver com essa estadia, o juiz conclui que os fundadores da nação, ao estabelecerem a cláusula dos emolumentos, optaram por uma solução simples: banir de todo quaisquer ofertas, seja de que tipo forem.

O processo foi interposto pelos procuradores gerais de Washington DC e do Maryland. Coube ao ministério da Justiça apresentar a posição do presidente. O porta-voz de um grupo que defende a ética no governo, Norman Eisen, descreveu a decisão de Messitte como "mais uma grande racha no dique que até agora tem travado a responsabilização" de Trump pelos seus conflitos de interesse.