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Paquistão. Antigo jogador de críquete Imran Khan lidera contagem de votos mas sem maioria

AAMIR QURESHI/AFP/Getty Images

Às três da madrugada, o PTI liderava em 110 distritos eleitorais, enquanto o PML-N era líder em 67, segundo relatos de estações de televisão paquistanesas, numa altura em que estava contada cerca de metade dos votos. Vários líderes políticos rejeitam os resultados inaugurais, alegando contagens de votos em segredo, entre outras irregularidades

O partido do antigo jogador de críquete Imran Khan, o PTI (Movimento do Paquistão pela Justiça), seguia com vantagem numa contagem inicial de votos após as eleições de quarta-feira. No entanto, os resultados estão a ser contestados pelos adversários, que se queixam de manipulação de votos.

Muitos acreditam que Khan conta com o apoio do influente exército paquistanês, que terá intervindo na campanha, intimidando e chantageando os seus rivais. Às três da madrugada, o PTI liderava em 110 distritos eleitorais, enquanto o PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão) era líder em 67, segundo relatos de estações de televisão paquistanesas, citados pelo jornal “The New York Times”, numa altura em que estava contada cerca de metade dos votos.

Numa primeira leitura, o partido de Khan fica aquém de uma maioria no Parlamento, composto por 272 assentos. Vários líderes políticos rejeitam os resultados inaugurais, alegando contagens de votos em segredo, entre outras irregularidades.

Eleições marcadas pela violência e pelo sexismo

Enquanto os eleitores votavam, 31 pessoas morreram em Quetta, no sudoeste do país, na sequência do ataque de um bombista suicida a uma assembleia de voto. Esta será apenas a segunda vez que um Governo civil passa o poder a outro depois de cumprir um mandato completo. Ao longo de mais de sete décadas, o Paquistão foi intermitentemente governado por militares.

Também mais mulheres estavam recenseadas para poderem votar. Contudo, como nota o jornal norte-americano, numa aldeia próxima de Peshawar, por exemplo, os anciãos tribais impediram centenas de mulheres de votarem, defendendo que as mulheres nunca deveriam sair de casa.

Comissão de Direitos Humanos denuncia tentativas “flagrantes” de manipulação

As eleições de quarta-feira foram as mais controversas na história democrática do país, dada a interferência cada vez menos discreta do exército na política e na comunicação social, além da violência de grupos terroristas que há duas semanas fez mais de 150 mortos. Cerca de metade do contingente ativo de soldados e paramilitares esteve presente nas ruas enquanto decorria a votação.

Já a Comissão de Direitos Humanos denunciava tentativas “flagrantes” de manipulação do processo eleitoral, enquanto o PML-N, ainda dominado pelo antigo primeiro-ministro detido Nawaz Sharif, se queixava de repressão. O Partido Popular do Paquistão (PPP), liderado pelo filho da antiga primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, deverá confirmar a terceira posição.