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Pais de menino morto em massacre pedem a Mark Zuckerberg que bloqueie teorias da conspiração

Chip Somodevilla/Getty

O fundador e líder executivo do Facebook tem dado abrigo a sites que contribuem para aumentar a angústia dos pais e também criam perigos reais para eles

Luís M. Faria

Jornalista

Os pais da criança mais nova que foi morta no massacre na escola primária de Sandy Hook, em 2012, escreveram uma carta aberta a Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, na qual o acusam de nada fazer para impedir o aparecimento e a divulgação de teorias de conspiração sobre o caso. Muitos adeptos dessas teorias acham que o massacre não passou de uma encenação que teve o objetivo de justificar medidas de controle de armas pelo governo.

Para pais como Leonard Pozner e Veronique de La Rosa, que perderam o seu filho Noah, de 6 anos, isso é profundamente perturbador. "O nosso filho morreu em Sandy Hook. Porquê deixar que as mentiras no Facebook nos magoem ainda mais?", perguntam na carta aberta.

O que está em causa não são só só danos emocionais. Conforme eles explicam, têm sido repetidamente ameaçados por grupos extremistas e viram-se obrigados e mudar de residência várias vezes para proteger as duas filhas que lhes restam. "As nossas famílias estão em perigo como resultado direto dos milhares de pessoas que veem e acreditam nas mentiras e no discurso de ódio, que o senhor decidiu dever ser protegido. O que torna toda a situação mais horrível é que temos tido que travar uma batalha quase inconcebível com o Facebook para nos fornecer a mais básica proteção para remover o conteúdo mais ofensivo e incendiário".

A empresa de Zuckerberg tem-se recusado a bloquear sites como o Infowars, de Alex Jones, um proponente compulsivo de teorias da conspiração, invocando o princípio da liberdade de expressão. Mas Pozner, La Rosa e outros pais de vítimas pedem para ser tratados como um grupo protegido - há outros no Facebook - e para a empresa lhes dar acesso rápido a um funcionário capaz de remover conteúdo falso e difamatório sempre que eles o detetarem.

"O nosso filho Noah já não tem uma voz, nem jamais chegará a viver a sua vida. A sua ausência é sentida todos os dias", escrevem. "Mas não podemos chorá-lo adequadamente e continuar as nossas vidas porque o senhor, talvez o homem mais poderoso do planeta, achou que os ataques contra nós são imateriais, que ajudar a remover ameaças é demasiado trabalhoso e que as nossas vidas são menos importantes do que fornecer um abrigo ao ódio".

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