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Jornalista da CNN banida de evento de imprensa depois de fazer perguntas “inapropriadas” a Trump

MANDEL NGAN/AFP/Getty Images

Kaitlan Collins questionou o Presidente dos EUA sobre a visita adiada do seu homólogo russo e sobre uma gravação comprometedora tornada pública na véspera pela estação de televisão. Depois disso ficou impedida de participar num evento aberto a toda a imprensa, uma decisão que já mereceu o repúdio da CNN, da Associação de Correspondentes da Casa Branca e até da Fox News

A jornalista da CNN Kaitlan Collins foi esta quarta-feira excluída de um evento de imprensa depois de fazer perguntas consideradas “inapropriadas” pela Casa Branca. Durante uma sessão de fotografias na Sala Oval, onde o Presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, Collins questionou Trump sobre a visita adiada do Presidente russo e sobre uma gravação comprometedora tornada pública na véspera.

Depois disso, a jornalista ficou impedida de participar num evento aberto a toda a imprensa, uma decisão que já mereceu o repúdio da CNN, da Associação de Correspondentes da Casa Branca e até da Fox News. Jay Wallace, presidente da Fox News, estação que é frequentemente elogiada por Trump, afirmou: “estamos em total solidariedade com a CNN pelo direito ao acesso total dos jornalistas como parte de uma imprensa livre e sem restrições”.

Frequentemente criticada pelo Presidente norte-americano, a CNN reagiu dizendo tratar-se de “uma decisão retaliatória por natureza” e “não indicativa de uma imprensa aberta e livre”. “Nós exigimos melhor”, acrescentou a estação. Na terça-feira, a CNN difundiu uma gravação de setembro de 2016, ou seja, dois meses antes das eleições presidenciais, durante a qual o então candidato Trump discute com o seu advogado Michael Cohen a forma como deviam pagar os direitos da história da ex-modelo da Playboy Karen McDougal sobre o seu alegado caso com Trump.

O presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca também repudiou a decisão do staff do Presidente dos EUA. “Condenamos veementemente a decisão errada e inapropriada de proibir um dos nossos membros de participar num evento de imprensa aberto depois de ela fazer perguntas de que não gostaram. Este tipo de retaliação é totalmente inadequado, errado e fraco. Não pode ser tolerado”, disse em comunicado. “Jornalistas a fazerem perguntas a elementos poderosos da administração, incluindo o Presidente, ajuda a responsabilizar essas pessoas. A associação apoia a prerrogativa de todos os jornalistas fazerem o seu trabalho sem medo de represálias do Governo”, concluiu.