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Japão executa mais seis membros da seita Verdade Suprema

BEHROUZ MEHRI/AFP/Getty Images

A seita foi responsável pelo ataque com gás Sarin no metro de Tóquio, em 1995. Todos os seus 13 membros no corredor da morte foram já executados

As autoridades japonesas executaram esta quinta-feira mais seis membros da seita Verdade Suprema, responsável pelo ataque químico de 1995 no metro de Tóquio. O ataque com gás Sarin, o pior ataque terrorista do Japão, matou 13 pessoas e feriu cerca de seis mil.

Todos os 13 membros da seita que estavam no corredor da morte foram executados, depois de, no início do mês, o líder Shoko Asahara e outros seis elementos também terem sido enforcados.

A 20 de março de 1995, membros da seita deixaram sacos perfurados cheios do agente nervoso em linhas do metro da capital japonesa. O gás atingiu as vítimas em poucos segundos, sufocando-as e provocando-lhes vómitos. Algumas ficaram cegas e paralisadas. Nos meses seguintes, elementos da Verdade Suprema tentaram libertar cianeto de hidrogénio em várias estações mas fracassaram.

“Foi um nível de crimes extremos e sérios sem precedentes que não devem voltar a acontecer e que aterrorizaram não apenas as pessoas no Japão, mas também países estrangeiros, abalando a sociedade. Ordenei as execuções com base numa ponderação extremamente cuidadosa”, disse a ministra da Justiça Yoko Kamikawa, citada pela agência Reuters.

Seita misturava crenças hindus e budistas, profecias apocalípticas e ioga

Shoko Asahara e os seus seguidores também foram acusados de vários outros assassinatos e de um outro ataque com gás Sarin em 1994, do qual resultaram oito mortos e 600 feridos.

A seita começou nos anos de 1980 como um grupo espiritual que misturava crenças hindus e budistas, incorporando mais tarde elementos de profecias cristãs apocalípticas. Asahara, o fundador, declarou ser simultaneamente Cristo e o primeiro “iluminado” desde Buda.

No Japão, a seita, que também se dedicava à meditação, ao ioga e às ciências do oculto, tinha mais de 10 mil seguidores, um número largamente ultrapassado na Rússia, onde se estima que tivesse cerca de 30 mil.

Os membros da seita incluíam alunos graduados das melhores universidades do Japão, que foram atraídos pela promessa de que sobreviveriam ao Armagedão, que seria provocado por um ataque nuclear dos EUA. Para isso, teriam de desenvolver Sarin, um agente nervoso inventado pelos nazis, no complexo da seita localizado no sopé do Monte Fuji.