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“A cólera pode espalhar-se como um incêndio no Iémen”, alerta ONG

AHMAD AL-BASHA/AFP/Getty Images

A organização não-governamental Save the Children lembra que os meses quentes do verão reúnem as condições ideais para a doença, que é altamente contagiosa, se espalhar rapidamente. Quase três mil casos suspeitos de cólera foram registados no país na primeira semana de julho, o que representa o número mais elevado desde o início do ano

Milhares de pessoas no Iémen podem ser afetadas por um novo surto de cólera nas próximas semanas. O alerta foi feito esta quinta-feira pela organização não-governamental Save the Children, que, em comunicado, lembra que os meses quentes do verão reúnem as condições ideais para a cólera se espalhar rapidamente.

Quase três mil casos suspeitos de cólera foram registados no país na primeira semana de julho, o que representa o número mais elevado desde o início do ano. “A cólera pode espalhar-se como um incêndio no Iémen, potencialmente infetando milhares de crianças e sobrecarregando completamente um sistema de saúde já debilitado”, disse a antiga primeira-ministra da Dinamarca Helle Thorning-Schmidt, que desde 2016 preside à Save the Children.

“Muitos hospitais foram reduzidos a escombros e aqueles que ainda se mantêm de pé mal funcionam. Os médicos não foram pagos, as farmácias encontram-se em rutura de stock e os cortes de energia acontecem constantemente”, acrescentou a responsável.

Hodeida pode ser “grau zero” de novo surto

A ONG está particularmente preocupada com a cidade portuária de Hodeida, uma vez que a coligação militar saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que luta contra os houthis na parte norte do Iémen, ameaça sitiar a cidade. Se isso acontecer, “Hodeida pode transformar-se no grau zero para um novo surto da doença altamente contagiosa”, o que seria “devastador para as cerca de 350 mil pessoas que ainda não fugiram” dos combates.

O Iémen vive há três anos num estado de guerra, que já provocou a morte a mais de 10 mil pessoas e desalojou mais de três milhões, sendo ainda considerada a pior crise humanitária do mundo.