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Paquistão. Liga Muçulmana diz que não vai aceitar resultados das eleições e alega irregularidades

RIZWAN TABASSUM/GETTY IMAGES

Resultados parciais anunciados há cerca de uma hora, quando estavam contabilizados apenas 20% dos votos, apontavam para uma vitória do partido liderado pela ex-estrela de críquete Imran Khan

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Ainda nem metade dos votos estão contabilizados mas a Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, já anunciou que não vai aceitar os resultados e alega irregularidades na votação, a começar desde logo pela alegada expulsão de representantes do seu partido de assembleias eleitorais durante a contagem dos votos.

Shehbaz Sharif, irmão de Nawaz e candidato pela PML-N, que anunciou a decisão do partido numa mensagem partilhada no Twitter, denunciou ainda não ter recebido uma cópia da ata com o resultado final de cada local de voto. Shehbaz Sharif que assumiu a liderança da liga depois de o irmão ter sido detido por corrupção e condenado a dez anos de prisão, disse ainda que o partido vai reunir-se na quinta-feira para discutir o que fazer face às alegadas irregularidades. “Vamos usar todos os recursos políticos e legais que estão ao nosso dispor para esclarecer isto. Não podemos deixar isto em branco”, acrescentou

Os palestinianos votaram esta quarta-feira naquelas que são consideradas das mais controversas - ou “sujas”, segundo alguns especialistas e analistas políticos - eleições na história do país. Isto devido à alegada interferência do Exército na política - vários deputados dizem ter sido compelidos a mudar de partido - na justiça e na comunicação social, com tentativas de intimidação e silenciamento de vários jornalistas e órgãos de comunicação, sobretudo jornais. Por isso, mas também pela violência que grassa no país (só numa semana morreram mais de 150 pessoas, vítimas de ataques terroristas) e que levou o Exército a mobilizar quase quatro mil soldados para as ruas do país em dia de eleições.

Resultados parciais anunciados há cerca de uma hora, quando estavam contabilizados apenas 20% dos votos, apontavam para uma vitória do Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), liderado pela ex-estrela de críquete Imran Khan, com 105 lugares no Parlamento. O PTI tem sido acusado de beneficiar da complacência do Exército que, segundos alguns analistas, vê neste partido uma possibilidade de derrubar definitivamente a Liga de Shehbaz Sharif. Segue-se, nesta lista provisória vencedores e vencidos, a PML-N (71 lugares) e o PPP (Pakistan Peoples Party, liderado pelo filho da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, Bilawal Bhutto Zardani), com 39 lugares.

Também a porta-voz da PML-N, Marriyum Aurangzeb, alegou irregularidades e garantiu que o seu partido tem provas, incluindo vídeos e fotografias, de que alguns representantes do seu partido foram agredidos e ameaçados em assembleias de voto. A Comissão Eleitoral do Paquistão, que está a supervisionar as eleições, já respondeu às alegações, garantindo que a única informação que têm é que alguns representantes de partidos que não estão a ter bons resultados nas eleições estão a abandonar as assembleias nas suas províncias sem levar cópias das atas com os resultados finais. Babar Yaqoob, secretária da comissão, garantiu no entanto que se houver indícios de irregularidades, serão tomadas as medidas necessárias. Quem também negou quaisquer irregularidades, e ainda com mais veemência, foi o PTI, que acusou a PML-N e restantes queixosos (isto é, PPP e outros partidos mais pequenos ) de serem “simpatizantes da Índia”. A acusação não é nova. Durante a campanha eleitoral, Imran Khan acusou a Liga de ser um produto do país vizinho e de ter sido apadrinhada também pela imprensa internacional.

Além destas denúncias, a eleição fica marcada pela morte de pelo menos 30 pessoas num ataque suicida ocorrido esta manhã perto de uma assembleia de voto na cidade paquistanesa de Quetta, capital da província do Baluchistão, e reivindicado posteriormente pelo Daesh. Um homem armado de explosivos terá tentado entrar numa assembleia e, no momento em que era detido pela polícia, fez-se explodir. Mais de 30 pessoas ficaram feridas, segundo o último balanço. O ataque foi precedido de outro, também esta quarta-feira de manhã, noutra assembleia de voto, no distrito de Khuzdar, também em Baluchistão - um polícia morreu e três ficaram feridos. Tem sido assim nas últimas semanas. Em meados de julho, um homem fez-se explodir durante um comício eleitoral em Mastung, a 40 quilómetros de Quetta, matando mais de 150 pessoas - o atentado foi considerado o segundo mais mortífero da história do Paquistão.