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Internacional

Paquistão já vota para eleger novo primeiro-ministro. Será o ex-jogador de críquete Imran Khan o senhor que se segue?

AAMIR QURESHI/AFP/Getty Images

A disputa eleitoral está já manchada por graves atos de violência e tentativas “flagrantes” de manipulação. O PML-N, ainda dominado pelo antigo chefe de Governo Nawaz Sharif, queixa-se de repressão e coação em favor do PTI de Khan, alegadamente com o apoio dos militares. O PPP, chefiado pelo filho de Benazir Bhutto, deverá ficar na terceira posição mas poderá ser decisivo na formação de uma possível coligação governativa

Os paquistaneses começaram a votar na manhã desta quarta-feira depois de uma campanha eleitoral marcada por violência e receios de manipulação. A grande questão na cabeça de todos é se o PTI (Movimento do Paquistão pela Justiça) do antigo jogador de críquete Imran Khan será o próximo primeiro-ministro do país, derrotando o PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão), ainda dominado por Nawaz Sharif. O antigo primeiro-ministro, que venceu as últimas eleições, estará a acompanhar a jornada eleitoral atrás das grades, depois de ter sido preso por corrupção no âmbito do caso Panama Papers.

Quase 106 milhões de pessoas estão registadas para votar e desde as oito da manhã locais (quatro da madrugada em Lisboa) que longas filas de eleitores se formam à entrada das secções de voto. Em disputa estão 272 assentos da Assembleia Nacional paquistanesa. A votação reveste-se de particular importância por se tratar apenas da segunda vez que um Governo civil passa o poder a outro depois de cumprir um mandato completo. Ao longo de mais de sete décadas, o Paquistão foi intermitentemente governado por militares.

As eleições desta quarta-feira são consideradas as mais controversas na história democrática do país, dada a interferência cada vez menos discreta do exército na política e na comunicação social, além da violência de grupos terroristas que há duas semanas fez mais de 150 mortos. Mais de 370 mil soldados (cerca de metade do contingente ativo) e paramilitares vão estar nas ruas enquanto decorrer a votação.

A Comissão de Direitos Humanos denuncia tentativas “flagrantes” de manipulação do processo eleitoral, enquanto o PML-N se queixa de repressão. Vários candidatos do partido dizem ter sido coagidos a mudar-se para o PTI e quase 17 mil militantes enfrentam processos criminais por infração de regras eleitorais não especificadas. No domingo, um juiz do Supremo Tribunal de Islamabad deliberou que os serviços de informação militar estão a interferir na política e no poder judiciário, acusação já rejeitada pelo exército paquistanês.

O Partido Popular do Paquistão (PPP), liderado pelo filho da antiga primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, deverá ficar na terceira posição. No entanto, diversos analistas acreditam que o partido será decisivo na formação de uma coligação governativa após as eleições, caso estas resultem, como alguns preveem, num Parlamento em que nenhum partido tem maioria absoluta.