Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Palestina eleita líder de um grupo de 135 países na ONU

Israel e os Estados Unidos continuam a opor-se a essa e outras formas de reconhecimento do estado palestiniano, dizendo que tornam mais difícil um acordo final de paz

Luís M. Faria

Jornalista

A Palestina foi eleita líder do Grupo dos 77, um conjunto de 135 países que representam 80 por cento da população mundial e votam frequentemente a uma só voz na Assembleia Geral das Nações Unidas. A eleição irritou Israel e os Estados Unidos, mas traduz o crescente reconhecimento diplomático internacional do Estado palestiniano.

Criado nos anos 1960, o Grupo dos 77 leva esse nome porque era esse o número de países que o integravam na altura. Entretanto, o número de membros quase duplicou e o Grupo mantém-se como um elemento importante na ONU. Entre os países que o integram contam-se a China, a Índia e o Brasil.

Embora Israel e os EUA se tenham oposto, a Palestina tem desde 2012 estatuto de observador nas Nações Unidas. Isso permite-lhe participar numa série de atividades e organizações, incluindo a Unesco. Também lhe dá acesso ao Tribunal Penal Internacional, o que foi um dos principais motivos da oposição americana.

Oficialmente, os EUA defendem que a Palestina só poderá ter a condição de Estado após a conclusão de um acordo final com Israel. A radicalização das posições israelitas e o apoio cada vez mais incondicional que o governo americano lhes dá, reforçaram a distância não só entre as duas partes do conflito, como entre os EUA e uma grande parte da comunidade internacional, que aprova regularmente condenações dos alegados abusos de direitos humanos cometidos por Israel - o que por sua vez leva este país a acusar a ONU de ter um preconceito contra si.

Os embaixadores americano e Israelita reiteraram a posição de que melhorias no estatuto diplomático da Palestina não ajudam a resolver o problema. Mas o embaixador palestiniano, Riyad Mansour, congratulou-se: "Vamos negociar em representação de 135 países".

Aludindo a uma conhecida expressão coloquial americana ('walks like a duck, quacks like a duck, therefore it's a duck'. 'Duck' significa pato), Mansour acrescentou: "Eles (Israel e os EUA) continuam a negar que somos um estado. Andamos como um estado, fazemos quáquá como um estado. Portanto somos um estado".