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Laos. Construtora diz ter avisado as autoridades sobre danos na barragem 24 horas antes do colapso

NHAC NGUYEN/GETTY IMAGES

Assim que tomaram conhecimento dos danos na barragem, as autoridades emitiram uma ordem de evacuação das áreas mais próximas. Não terá, contudo, sido suficiente. Pelo menos 19 pessoas morreram devido ao colapso da estrutura e mais de três mil continuam por resgatar

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Uma das empresas responsáveis pela construção da barragem que colapsou esta quarta-feira na província de Attapeu, no sul do Laos, resultando na morte de pelo menos 19 pessoas, diz ter avisado as autoridades sobre danos na estrutura 24 horas antes do incidente.

Segundo a SK Engineering & Construction, uma construtora sul-coreana, assim que as autoridades foram informadas sobre os danos na barragem, no domingo à noite (hora local), foi emitida uma ordem de evacuação para a população das áreas mais próximas. “Alertámos de imediato as autoridades e as pessoas das vilas ali perto começaram a ser retiradas das suas casas”, lê-se no comunicado emitido pela empresa e citado pelo jornal “South China Morning Post”.

Retirar a população das suas casas não terá, contudo, evitado a tragédia que haveria de seguir-se. Pelo menos 19 pessoas morreram e mais de 3.000 continuam por resgatar na sequência do colapso da barragem que estava em construção nos rios Xe Pian e Xe Namnoy, na segunda-feira. Sobre pessoas desaparecidas, não há ainda números.

De acordo com um relatório das Nações Unidas sobre o incidente, mais de 11 mil pessoas foram afetadas em 357 localidades. Pelo menos duas dezenas de casas ficaram destruídas e mais de duzentas casas e 14 pontes ficaram danificadas pela inundação. Sete aldeias terão ficado totalmente submersas.

Ainda segundo a construtora, foram feitas várias tentativas para reparar os danos na barragem, mas a chuva forte que caiu durante aquelas horas terá dificultado os trabalhos. Na segunda-feira, foi libertada água da barragem para tentar aliviar a pressão, o que não viria, no entanto, a evitar o colapso da estrutura. A SK Engineering & Construction disse ter enviado uma equipa de resgate para o local, bem como helicópteros e barcos. Também as autoridades estão a utilizar helicópteros e embarcações para resgatar desaparecidos ou pessoas que ainda se encontram presas nos telhados das suas casas.

O primeiro-ministro do país, Thongloun Sisoulith, esteve no local a acompanhar as operações de resgate e a falar com as vítimas. Apesar de o pior ter aparentemente passado, os próximos dias adivinham-se difíceis para a população devido à previsão de chuvas e ventos fortes na região.

A barragem em questão, localizada perto da fronteira com o Camboja, está a ser construída desde 2013 pela SK Engineering & Construction em conjunto com uma empresa do Laos, uma construtora tailandesa e outra sul-coreana. Estima-se que os custos rondem os 855 milhões de euros.

Não é a única barragem em construção no Laos, pelo contrário - estão a ser construídas dezenas neste momento, num país que exporta a maior parte da sua energia hidroelétrica para os países vizinhos, incluindo a Tailândia.

Vários grupos ligados à proteção do ambiente têm alertado para os riscos, ambientais e humanos, que advêm da construção desenfreada de represas. No ano passado, outra barragem colapsou numa província no norte do país, Xieng Khuong, resultando em cheias que afetaram várias aldeias e colocaram vidas em risco.