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Jovem sueca recusa sentar-se num avião para impedir que um afegão seja deportado. E consegue

AFP/Getty

Foi um ato de desobediência civil que poderá acabar por se revelar inútil, mas põe em relevo a atual política sueca em matéria de asilo

Luís M. Faria

Jornalista

Uma estudante universitária sueca de 21 anos recusou sentar-se num avião que ia descolar de Gotemburgo, em protesto contra o facto de se encontrar a bordo um afegão que ia ser deportado. Durante quase um quarto de hora, a jovem percorreu a cabine explicando aos passageiros que estava a tentar salvar uma vida. Ao mesmo tempo, transmitia a cena em direto através do seu telefone. No final, tanto o afegão como ela acabaram por ser desembarcados.

A cena foi um exemplo invulgar, embora não único (no mês passado houve um caso semelhante também na Suécia) de desobediência civil. A estudante, Elin Ersson, pertence a um grupo de ativistas que tinha sido informado de que um jovem afegão ia ser deportado naquele vôo. Não apareceu o homem que esperavam, mas sim outro mais novo. O que para ela não mudou a situação.

Ao longo dos 14 minutos de duração do vídeo, a tripulação procura repetidamente convencê-la a sentar-se, e chegam a tirar-lhe o telemóvel da mão, embora a seguir lho devolvam. Também vários passageiros gritam com ela. A um, Ersson responde dizendo que o tempo dele é menos importante do que uma vida. A certa altura, algumas pessoas começam a estar do lado dela. Uma equipa de futebol também se levanta no fundo do avião e, quando o afegão é finalmente desembarcado, ouvem-se aplausos.

A Suécia é tradicionalmente um país acolhedor para os refugiados, mas o afluxo excepcional dos últimos anos - só em 2015 foram 163 mil os que chegaram - levou a uma contra-reação. Como noutros países, há um partido de extrema-direita a capitalizar esses descontentamentos e os partidos tradicionais tentam resistir modificando as suas posições.

O gesto de Ersson tem sido muito elogiado na internet, mas o mais provável é mesmo o afegão acabar por ser deportado noutra ocasião. Segundo Ersson, isso pode equivaler a uma sentença de morte, dada a insegurança extrema que grassa no Afeganistão, onde, em janeiro passado, uma única bomba matou mais de cem pessoas.

Entretanto, a polícia de Gotemburgo esclareceu que o que a jovem fez foi uma simples infração civil, não um crime. Cabe à companhia aérea - a Turkish Airlines - processá-la pelo atraso, se assim entender. Ela repete o que já tinha dito no avião: apenas quis salvar uma vida.