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Expresso

Internacional

Companhias aéreas apagam Taiwan do mapa

Aviões da American Air Lines

Joshua Roberts

Para escapar a sanções de Pequim, as três maiores companhias aéreas do mundo apagaram a referência a Taiwan nos seus sites de reservas. Tal como muitas outras transportadoras, as três grandes apenas propõem a capital Taipé como destino e cumprem o prazo exigido pela China que termina esta quarta-feira

A American Airlines, a maior companhia aérea do mundo, e a Delta Air Lines, a nº 2 do ranking, alteraram os sites de reserva online para a retirar qualquer referência à ilha de Taiwan (Formosa) como território não chinês. Uma decisão que deverá ser também adotada esta quarta-feira pela United Airlines para evitar as sanções anunciadas pela China. Pequim nunca reconheceu a independência da ilha para onde fugiu em 1949 o governo nacionalista de Chiang Kay-shek, derrotado por Mao Tsé -Tung na guerra civil chinesa.

No contexto da escalada de tensão comercial com os Estados Unidos, Pequim exigiu às empresas estrangeiras e em primeiro lugar às companhias aéreas, para deixarem de se referir a Taiwan como um território não chinês até 25 de julho. Washington considerou a exigência chinesa como um “absurdo orwelliano” e viu em junho frustadas as tentativas de conversações sobre o assunto com as autoridades chinesas.

“Como outras companhias chinesas, a American efetuou alterações para se adaptar às pretensões chinesas”, declarou esta terça-feira à noite à Reuters Shannon Gilson, o porta-voz da companhia. “O transporte aéreo é mundial na sua essência e nós respeitamos as regras dos países onde operamos”, acrescentou.

Ainda segundo a Reuters, nem a Casa Branca, nem o Departamento de Estado norte-americano quiseram fazer qualquer comentário sobre o assunto.

As três grandes transportadoras dos Estados Unidos juntam-se assim às europeias Lufthansa e British Airways, ou à Air Canada entre outras que eliminaram a referência a Taiwan no seus sites de reservas tal como exigia a carta da Autoridade da Aviação Civil da China enviada a 36 transportadoras aéreas.

A Cathay Pacific, sediada em Hong Kong, também esta quarta-feira começou a identificar Taiwan como território chinês. A empresa e a sua subsidiária Dragon Air nas suas páginas na internet referem-se agora à ilha como “Taiwan, China”, em inglês e chinês.

A porta-voz do Governo de Taiwan, Kolas Yotaka, classificou esta decisão de “injusta” e pediu o apoio da comunidade internacional, segundo noticiou a Lusa. “Continuamos a pedir que a comunidade internacional não se torne cúmplice no assédio da China”, disse aos jornalistas.

Já a Cathay Pacific explicou que a empresa foi registada na “Região Administrativa Especial de Hong Kong da República Popular da China” e que deve “respeitar os regulamentos das autoridades competentes da aviação civil”, acrescentou a empresa.

Segundo a mesma fonte, empresas mais pequenas da antiga colónia britânica, que regressaram em 1997 sob a tutela chinesa, como Hong Kong Express e Hong Kong Airlines, fizeram o mesmo.