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Cimeira Juncker-Trump. Alemães pedem “travão de emergência”

Presidente da Comissão Europeia e o presidente americano durante a cimeira do G-20, a 8 de julho, em Hamburgo. Vão reunir-se novamente esta quarta

REUTERS / WOLFGANG RATTAY

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia conhece esta quarta-feira novo capítulo: o encontro entre Donald Trump e Jean-Claude Juncker na Casa Branca. Patrão das indústrias alemãs apela a “travão de emergência”

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Sem dramas nem concessões, nem tão pouco ofertas de paz. É assim que é descrito o estado de espírito (e as intenções) da delegação da Comissão Europeia que chega esta quarta-feira a Washington para um novo “round” na já chamada “guerra comercial” entre os Estados Unidos e a União Europeia.

A delegação é chefiada pelo próprio presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, acompanhado da comissária do Comércio, Cecilia Malmstrom. Oficialmente, aliás, será um encontro “virado para diálogo”, em que Juncker vai procura expor os pontos de vista europeus, sem mais. Resta saber se é esse também o entendimento de Trump.

Para já, as relações entre ambos os blocos e aliados estão tensas, depois de o presidente americano ter resolvido impor taxas alfandegárias à União Europeia nas importações de aço e alumínio (às quais a UE já retaliou), além de que a tratou como “inimiga” dos EUA.

Automóveis na berlinda

De pé, por outro lado, mantém-se a ameaça de aumentar as taxas relativas à importação de automóveis europeus para 25%, o que afeta particularmente a Alemanha. A ordem de Trump era para averiguar se essas importações ameaçavam a segurança nacional americana (a mesma justificação, aliás, que valeu para as importações de aço e alumínio). A UE respondeu por escrito e sugeriu que as suas contra-medidas neste caso podiam ir até um montante de €252 mil milhões.

Agora, em vésperas do encontro, é o próprio presidente da Federação das Indústrias alemãs, Dieter Kempf, que pede a ambos que “ativem o travão de emergência” neste conflito comercial. Para tanto - afirmou - o Presidente dos EUA deve “acalmar a sua retórica” e suprimir os procedimentos relativos à segurança nacional.

REUTERS / MARKUS SCHREIBER

A Alemanha é o quarto maior exportador automóvel para os EUA, responsável por mais de metade das vendas de €38 mil milhões da UE, e será por isso o mais penalizado com o aumento das tarifas a que se propõe Donald Trump.

Atualmente, esta taxa é de 2,5% , ao passo que os automóveis americanos enfrentam tarifas de 10% à entrada no mercado europeu. Por outro lado, a indústria automóvel alemã emprega mais de 118 mil pessoas nos EUA, sendo que 60% da sua produção é exportada para terceiros países, o que pode vir a ter algum impacto na economia americana.

Na europeia tem de certeza. De acordo com as previsões da Comissão, o crescimento económico deve baixar, em parte devido às “incertezas externas” (leia-se, entre outras, a ameaça da guerra comercial). Menos 0,2% é o que prevê agora a Comissão, em relação às estimativas feitas há três meses.

A Alemanha espera contudo que ainda seja possível encontrar uma solução que satisfaça ambas as partes. Segundo declarações no domingo do ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, a ameaça do aumento das taxas americanas sobre os automóveis é para levar a sério, embora seja difícil avaliar o seu impacto na economia alemã.

“Os direitos alfandegários representados pelo aço e alumínio representam mais de €6 mil milhões. No caso dos automóveis, estaríamos a falar de dez vezes mais”, disse Altmaier numa entrevista à rádio.

O encontro entre Juncker e Trump - um “tête-à-tête” - ocorre pelas 13h30 (18h30 à hora de Portugal Continental). O presidente da Comissão Europeia já disse que cresceu “com a ideia ingénua de que a América e a Europa eram irmão e irmã”. Manifestamente, Trump não tem essa lembrança.