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Acordo entre Trump e Juncker abre tréguas mas tem objetivos vagos

SAUL LOEB/Getty

Trump destacou a vontade comum de avançar, a prazo, para “zero tarifas alfandegárias” nas trocas industriais, com exceção do setor automóvel, mas não foi avançado qualquer prazo para cumprir este objetivo

Os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e dos EUA, Donald Trump divulgaram nesta quarta-feira uma série de medidas na agricultura, indústria e energia, para apaziguar o seu conflito comercial, mas os respetivos anúncios são globalmente vagos.

Trump destacou a vontade comum de avançar, a prazo, para "zero tarifas alfandegárias" nas suas trocas industriais, com exceção do setor automóvel, mas não foi avançado qualquer prazo para este objetivo. "Vamos trabalhar para reduzir as barreiras (alfandegárias) e aumentar o comércio nos serviços, nos produtos químicos e farmacêuticos, nos produtos médicos e também na soja", declarou Trump.

O titular da Casa Branca prometeu "resolver" a questão das tarifas alfandegárias norte-americanas aplicadas sobre o aço (25%) e o alumínio (10%) de proveniência europeia. Foram precisamente estas taxas, que estão a ser aplicadas desde 1 de junho, que deterioraram as relações entre Washington e Bruxelas. Contudo, Trump não esclareceu se isto significava que o seu governo ia suspender ou suprimir estas taxas. Juncker também não esclareceu se as represálias europeias a estas taxas iam ser levantadas.

Trump anunciou ainda que a UE vai começar "quase imediatamente" a comprar "muito mais soja" aos produtores norte-americanos, sem anunciar qualquer volume. A questão da soja pode suscitar problemas na Europa, uma vez que 94% da soja plantada nos EUA é geneticamente modificada, segundo estatísticas do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA, na sigla em inglês).

Em causa está sobretudo a comercialização deste produto, uma vez que a cultura da soja geneticamente modificada é interdita na Europa. A UE importa muita soja da América Latina, porque, depois do acordo agrícola de Blair House (acordo bilateral entre a UE e os EUA, feito em 1992), renunciou a cultivá-la.

Uma fonte europeia disse que não vai ser imposta nenhuma nova tarifa alfandegária sobre as importações de viaturas europeias nos EUA, um dossier particularmente sensível para a Alemanha, onde este setor chave emprega cerca de 800 mil pessoas. A Casa Branca encarregou no final de maio o seu Departamento do Comércio de examinar a possibilidade de impor taxas suplementares, indo até 25%, sobre este setor estratégico da economia mundial e europeia, em particular.

A UE vai também aumentar as suas importações de gás natural liquefeito provenientes dos EUA. "Nós vamos ajudá-los, mas eles vão tornar-se compradores massivos", estimou Trump.

Por fim, os EUA e a UE vão trabalhar em conjunto para reformar a Organização Mundial do Comércio, para "atacarem o problema das práticas comerciais desleais, incluindo o roubo da propriedade intelectual, a transferência forçada de tecnologias, as subvenções industriais, as distorções criadas pelas empresas do Estado e o excesso de capacidade", detalhou Trump, com afirmações que visam a China.