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Presidente da Nicarágua recusa demitir-se apesar dos apelos e de 300 mortos em protestos

INTI OCON/AFP/Getty Images

Em entrevista à Fox News, Daniel Ortega rejeitou um cenário de eleições antecipadas. “Antecipar as eleições criaria instabilidade e insegurança e só pioraria as coisas”, afirmou. O chefe de Estado garantiu, no entanto, que ele e a vice-Presidente Rosario Murillo, que é também a sua mulher, não estavam a tentar iniciar uma dinastia no país

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, recusa demitir-se e disse esta segunda-feira que a realização de eleições antecipadas no país criaria instabilidade. Em entrevista à Fox News, Ortega rejeitou antecipar as eleições marcadas para 2021, apesar dos apelos de vários empresários e outros sectores nicaraguenses e dos cerca de 300 mortos em protestos contra o seu Governo.

O chefe de Estado garantiu, no entanto, que ele e a vice-Presidente Rosario Murillo, que é também a sua mulher, não estavam a tentar iniciar uma dinastia no país. “Antecipar as eleições criaria instabilidade e insegurança e só pioraria as coisas”, afirmou.

Os manifestantes, sobretudo estudantes que o Governo apelida de terroristas, exigem a demissão do Presidente desde que em abril Ortega impôs cortes nos programas de reforma e apoios sociais. O Presidente acabaria rapidamente por recuar nos cortes, mas os protestos não cessaram.

Três meses de confrontos terão já resultado em cerca de três centenas de mortos naqueles que são descritos como os protestos mais violentos no país desde o fim da guerra civil, em 1990.

“Todos os nicaraguenses querem uma solução pacífica”, diz irmão do Presidente

No início do mês, o general aposentado do Exército Humberto Ortega pediu ao irmão que antecipasse as presidenciais para superar a crise sociopolítica no país. “Todos os nicaraguenses querem uma solução pacífica para a trágica crise que sofremos, e o Presidente Daniel Ortega, ao antecipar constitucionalmente as eleições presidenciais para o próximo ano diz ‘sim’ à paz”, escreveu o general numa carta ao irmão tornada pública.

Diversos sectores, da Conferência Episcopal à Organização de Estados Americanos, pediram ao Presidente que antecipasse as eleições para março de 2019 como forma de solucionar a crise. Segundo o irmão do Presidente, com um novo Governo a Nicarágua vai “recuperar rapidamente”, dando um novo impulso à pequena, média e grande economia, ao investimento estrangeiro e ao turismo.