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Incêndios na Grécia. “O fogo avançou muito rápido”, diz autarca de Rafina

SAVVAS KARMANIOLAS/Getty

O autarca descreve o que se passou como “um filme de terror”. As pessoas tardaram em abandonar as casas “porque estão ligadas a elas” e quando o quiseram fazer “já era tarde”

O vice-presidente do município de Rafina, onde dezenas de pessoas morreram nos incêndios de segunda-feira na Grécia, disse à Lusa que "aconteceu tudo muito rápido" e que as vítimas não tiveram tempo de fugir. "O fogo avançou muito rápido através do vale e os ventos eram muitos fortes. Ninguém esperava que, em tão pouco tempo, o fogo fosse tão longe", disse Panos Kalfantis, contactado por telefone pela agência Lusa.

O autarca descreve o que se passou a seguir como "um filme de terror": as pessoas tardaram em abandonar as casas "porque estão ligadas a elas" e quando o quiseram fazer "já era tarde". "As estradas eram estreitas e as pessoas morreram queimadas nos carros. Sei que em Portugal passaram pelo mesmo no ano passado. Gosto muito do vosso país e lembro-me de ter lido nos jornais", referiu o autarca, numa alusão ao incêndio de Pedrogão Grande.

Em Rafina e no município vizinho de Néa Mákri, o fogo matou entre 55 e 60 pessoas e deixou outras 60 feridas, essencialmente gregos e residentes na área, mas também pessoas que se encontravam de férias numa segunda habitação. "Havia muito poucos turistas", de acordo com Panos Kalfantis, que não soube precisar com detalhe o número de vítimas nem se existem outras nacionalidades, explicando que a prioridade tem sido "confortar as pessoas".

Além dos habitantes locais e veraneantes gregos, também alguns turistas de nacionalidade francesa e britânica fugiram para o mar e foram socorridos por barcos patrulha. O incêndio provocou igualmente a destruição de 300 a 400 casas e de "uma área de pinhal" de entre 400 e 800 hectares.

As causas do incêndio são para já desconhecidas, mas estão a ser colocadas várias hipóteses: "Algumas pessoas falam num curto circuito... o facto é que tivemos uma seca severa e ontem o vento soprou com muita força. Mas não sabemos o que foi, se foi a corrente elétrica, se foi alguém que estava a trabalhar"

As autoridades não descartam também uma eventual origem criminosa - a investigação está em curso - "mas ninguém foi preso até ao momento", adiantou o mesmo responsável.

O município já providenciou alojamento para as pessoas que ficaram desalojadas. "Vão ficar em quartos nos hotéis. Temos lugar para dormirem, temos comida, temos água, temos médicos, temos medicamentos, temos psicólogos. Está tudo bem organizado hoje, mas ontem o fogo foi demasiado rápido e por isso tivemos muitos mortos", relatou.

O fogo que devastou esta zona do leste da Grécia foi controlado às primeiras horas da manha e já esta dado como extinto. No terreno, disse ainda Panos Kalfantis, estiveram cerca de 300 bombeiros, acompanhados de militares do exército grego, equipas civis e máquinas para as estradas, bem como meios aéreos.

Os fogos que lavram na Grécia causaram pelo menos 60 mortos e 172 feridos, alguns em estado crítico, de acordo com os últimos dados da Proteção Civil grega. O Governo de Alexis Tsipras pediu ajuda internacional na noite de segunda-feira, tendo já alguns países respondido com meios de apoio.

Portugal vai enviar 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) para ajudar a combater os incêndios na Grécia, anunciou hoje o ministro da Administração Interna.