Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Administração Trump autoriza fabricação de armas de fogo por impressão 3-D

A partir de agosto, qualquer americano pode legalmente produzir em casa qualquer arma de fogo, sem número de série nem outros elementos que permitam às autoridades seguir o seu historial

Luís M. Faria

Jornalista

Poder produzir em casa armas de fogo, incluindo o AR-15, o famoso rifle semi-automático usado com frequência em massacres nos EUA: é o sonho de muitas pessoas (e pesadelo de muitas mais) que dentro em pouco se vai tornar realidade.

A administração Trump chegou a acordo com Cody Wilson, um homem que em 2012 pôs na internet os planos e o software necessários para produzir o Liberator, a primeira arma imprimida em 3-D. Após mais de cem mil descargas, o governo bloqueou o site por infringir as regras sobre exportações internacionais. Wilson foi a tribunal, invocando o seu direito à liberdade de expressão, e agora o governo cedeu.

A partir de 1 de agosto, a empresa de Wilson, Defense Distributed, poderá voltar a distribuir os planos para o Liberator e outras armas que entenda. "A era da arma descarregável começa", proclama a empresa no seu site. Acusando-o de pôr fim a quaisquer tentativas de controle de armas, alguns críticos pedem que as autoridades tomem todas as medidas possíveis para limitar a fabricação doméstica desses aparelhos.

Embora até agora fosse ilegal fabricar armas de fogo em casa, não era ilegal montá-las, e a Defense Distributed já vendia as peças necessárias para o fazer - peças sem número de série, que portanto impediam as autoridades de seguir o historial de uma arma desde a origem. O acordo com Wilson permite ir um passo mais além, facilitando bastante a criação de "armas-fantasma", como se chama a essas armas sem referência.

Os fãs das armas estão entusiasmados, mas não deverá tardar até os criminosos começarem a usar este novo recurso, como já fazem com os outros tipos de armas-fantasma. Wilson diz que lamentaria "imenso" se uma arma produzida com os seus planos fosse usada num massacre, mas garante que se limitou a seguir uma cultura americana já existente. E pôs no Twitter uma fotografia de uma campa com a inscrição "Controle de Armas na América".