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Trump responde ao Presidente iraniano. “Nunca, nunca mais volte a ameaçar os EUA”

Joe Raedle/Getty Images

A resposta de Trump surge na sequência das declarações Hassan Rohani, Presidente iraniano, que aconselhou os EUA a não “brincar com o fogo”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Donald Trump e Hassan Rohani, Presidente iraniano, voltaram à troca de ameaças. Depois de este último ter dito ao seu homólogo americano para não “brincar com a cauda do leão” (expressão idiomática persa que em português equivale a “não brincar com o fogo”) porque um conflito com o Irão seria a “mãe de todas as guerras”, Trump ordenou a Rohani para que não volte a ameaçar os EUA sob pena de sofrer “consequências como poucos conheceram ao longo da história”. “Nunca, nunca mais volte a ameaçar os EUA”.

No Twitter, em mensagens publicadas no domingo à noite, Donald Trump acrescentou que os EUA deixaram de ser o país que apoia as palavras “dementes de violência e de morte” do Irão. “Cuidado”, concluiu. Tudo isto na sequência dos comentários feitos por Hassan Rohani, que a agência de notícias estatal iraniana IRNA garantiu, contudo, não representarem, de modo algum, uma ameaça de guerra - a ideia continua a ser a paz.

Trump não ficou sozinho na retórica de guerra contra o Irão. Na segunda-feira, Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca, disse subscrever as suas palavras, esclarecendo que quem “incitou a um confronto” foi o Irão e não os EUA. “O presidente pode ter usado uma linguagem dura, mas ele não terá medo de adotar medidas igualmente duras”, disse à “Fox News”. Já John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional, emitiu um comunicado sobre o assunto, como que para clarificar que não se tratou de uma ameaça vã. “O Presidente disse-me que se o Irão fizer alguma coisa de mal, pagará um preço que poucos países pagaram antes”.

Do lado do Irão, não houve qualquer reação oficial, tendo Gholamhossein Gharibpour, chefe da Basij, milícia paramilitar voluntária fundado pelo falecido ayatollah Khomeini em 1979, sido dos poucos a falar sobre o assunto. “Aquilo que Trump está a fazer é mera guerra psicológica. Ele não ousaria cometer o erro de adotar medidas contra o Irão”, disse, citado pelo britânico “The Guardian”.


Mike Pompeo acusa regime de Teerão de ser uma “máfia”

Trump anunciou recentemente a saída dos EUA do acordo nuclear assinado com o Irão, com o objetivo de impedir que o país adquirisse armas nucleares, e o regresso das sanções norte-americanas. Na noite de domingo, o secretário de Estado norte-americano disse que os EUA “não têm medo” de impor sanções “ao mais alto nível”.

Também chamou ao regime de Teerão uma “máfia” que acumula riqueza enquanto o povo do país sofre e acusou os líderes religiosos iranianos de serem “homens santos hipócritas”. “Às vezes parece que o mundo deixou de ser sensível ao autoritarismo do regime iraniano e à sua campanha de violência para lá das fronteiras do país, mas o povo iraniano não tem ficado em silêncio sobre os abusos do seu governo e os EUA também não vão ficar em silêncio”, disse Pompeo num discurso na diáspora iraniana na Califórnia, acrescentando que os Estados Unidos têm uma “mensagem para os iranianos” - “Os EUA ouvem-vos e apoiam-vos. Os EUA estão convosco”.