Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Macron ordena reorganização do gabinete após episódio de agressão de assessor

ALBERTO PIZZOLI/GETTY

Escândalo que envolve ex-responsável de segurança de Macron obriga a reestruturação no Eliseu. Ministro do Interior garante estar comprometido com o apuramento da verdade sobre o caso

Numa altura em que desce a popularidade do Presidente francês, Emmanuel Macron ordenou uma reorganização do seu gabinete, após o episódio de agressão que envolveu o chefe de segurança e um funcionário do partido presidencial numa manifestação em Paris. Fonte próxima do Palácio do Eliseu disse ao “Guardian” que o chefe de Estado gaulês pediu ao secretário-geral da Presidência para preparar a reorganização da sua equipa. O objetivo é evitar situações semelhantes no futuro.

Esta segunda-feira, o porta-voz do Governo de Paris, Benjamin Griveaux, disse à RTL, que o Presidente francês está “extremamente determinado” no apuramento da verdade.

Foi na passada quarta-feira que o escândalo surgiu após o jornal “Le Monde” ter divulgado um vídeo que mostra o responsável pela segurança do Presidente, Alexandre Benalla, a agredir um homem e a puxar uma mulher durante uma manifestação no 1.º de Maio na capital francesa. Mais tarde, o Ministério Público francês anunciou a abertura de um inquérito sobre o caso. O chefe de segurança e um funcionário do partido presidencial, Vincent Crase, acabaram por ser acusados de agressão.

Alexandre Benalla foi detido por “violência em grupo por uma pessoa encarregada de uma missão de serviço público, usurpação de funções e posse ilegal de insígnias reservadas à autoridade pública” e ainda por “cumplicidade na apropriação indevida de imagens de um sistema de videovigilância”, refere a agência EFE.

O episódio veio afetar a popularidade de Emmanuel Macron, que atingiu na semana passada um novo mínimo (39%) desde que tomou posse a 14 de maio de 2017. Segundo a imprensa francesa, Alexandre Benalla foi na altura suspenso apenas durante 15 dias, tendo mais tarde regressado a funções com direito a várias regalias. Só depois de ter sido detido na sexta-feira foi anunciada a sua demissão.

Este fim de semana Macron ter-se-á reunido com várias pessoas para discutir a gestão da crise. Entretanto, o ministro do Interior, Gérard Collomb – que foi acusado por alguns parlamentares de ter silenciado o caso –, também garantiu esta segunda-feira no Parlamento que está disposto a esclarecer o que sucedeu. “Estou comprometido em garantir que todas as dúvidas sejam eliminadas pelas várias investigações em andamento. Tanto mais que as forças policiais foram legitimamente afetadas por esse episódio. Eu nunca vou aceitar que alguém que se faça passar por um polícia coloque em descrédito as nossas forças de segurança”, declarou Gérard Collomb.

O chefe da polícia de Paris, Michel Delpuech, será também ouvido esta tarde na Assembleia Nacional. Três agentes da polícia foram suspensos na sequência do caso.

  • Presidente Macron enfrenta críticas depois de agressão de assessor a manifestante

    Alexandre Benalla, assessor do vice-chefe do gabinete presidencial e responsável pela segurança da campanha de Macron em 2017, foi identificado a bater num homem num vídeo de uma manifestação de 1 de maio. Benalla fez-se passar por agente de segurança, usando um capacete da polícia antimotim. O Ministério Público e o Ministério da Administração Interna anunciaram que abriram investigações ao caso