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Fumar uma ganza vai deixar de ser “cool”. Vem aí a cerveja de canábis

Uriel Sinai/Getty Images

Em breve será possível colocar canábis em vários produtos comestíveis e também bebíveis. Já há quem esteja a experimentar fazer cerveja com várias partes da planta e o seu consumo deverá ser possível daqui a cerca de um ano e meio, no Canadá

Há cientistas canadianos a desenvolver aquela que está a ser classificada como a primeira cerveja de canábis do mundo. Neste momento estão ser apuradas quantidades, sabor e técnicas de fermentação e este é apenas um dos produtos que podem vir a ser desenvolvidos assim que a legalização total entrar em vigor, já em outubro deste ano. A venda de alimentos contendo canábis será legal um ano depois, mas a fase de testes está em marcha.

Já existem cervejas “com” canábis e por “com” leia-se fermentadas com um pouco de óleo de marijuana à mistura mas os produtores desta nova cerveja não querem “só” isso. “Não é isso que fazemos. A nossa cerveja é fermentada a partir dos talos e raízes da planta”, disse ao diário britânico “The Guardian” Domma Wendschuh, representante da marca Province Brands, que está a desenvolver a bebida. “Comecei a pensar na possibilidade de desenvolver alguma coisa que pudesse servir os propósitos sociais que o álcool serve na nossa sociedade”, explicou. Para Wendschuh o Canadá é, neste momento, o único sítio onde este negócio seria possível.

Mas, assim que começou a desenvolver a bebida, a equipa deparou-se com um grave problema: “Acabámos com produtos que tinham um sabor terrível. Sabia a bróculos podres”, disse Wendschuh. Com a ajuda de um cientista conseguiram a combinação perfeita entre lúpulos, água, fermentos e canábis. O álcool naturalmente produzido durante a fermentação seria retirado, fazendo desta uma bebida sem álcool e sem glúten - apenas capaz de induzir uma certa “moca”, coisa que não será estranha nem aos consumidores de álcool nem aos consumidores de canabinóides. O tal efeito “sente-se imediatamente”, diz Wendschuh, “o que normalmente não acontece com os produtos comestíveis derivados da canábis”.

As utilizações ingeríveis não se ficam pelos líquidos - isto apesar de também haver empresas a desenvolver cocktails com canábis. Neste mercado, que se espera multimilionário, haverá lugar, por exemplo, para mel e doçaria feitos com marijuana. Os analistas deste mercado dizem que a indústria dos produtos derivados da canábis pode vir a valer até 22 mil milhões de dólares canadianos (14,6 mil milhões de euros).

A ideia é que esta seja apenas a primeira cerveja de um leque de várias, com vários sabores e de vários tipos, como agora fazem as marcas tradicionais produzindo cervejas pretas, mais aromáticas, mais densas, com mais ou menos teor alcoólico - neste caso com mais ou menos THC, o composto ativo da planta.