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“Foi levada por Alá.” Menina de 10 anos morre depois de mutilada genitalmente

Sally Hayden/SOPA Images/LightRocket/Getty Images

Aconteceu na Somália e o pai atribuiu a morte da filha a causas divinas. Os exames revelam que a criança contraiu tétano porque os utensílios utilizados no procedimento não foram esterilizados. “Cortaram-lhe o clítoris e um lado da vulva. O outro lado ficou ferido em três áreas. Nunca vi ninguém mutilado desta forma na minha vida”, disse o médico. Além da morte, a mutilação genital feminina pode provocar sangramentos, infeções, problemas urinários e complicações na gravidez, alerta a OMS

Uma menina de 10 anos morreu na região central da Somália depois de ter sido submetida a mutilação genital feminina. Segundo o diretor do hospital de Hanano, na cidade de Dhusamareb, Abdirahman Omar Hassan, citado pela secção somali da estação VOA, a criança sangrou até à morte.

A menina foi levada para o hospital a 17 de julho, dois dias depois de ter sido submetida à mutilação, de acordo com os pais, numa aldeia a cerca de 40 quilómetros do hospital. Os exames revelam que a criança contraiu tétano porque os utensílios utilizados no procedimento não foram esterilizados. “Cortaram-lhe o clítoris e um lado da vulva. O outro lado ficou ferido em três áreas. Nunca vi ninguém mutilado desta forma na minha vida”, disse o médico.

É uma violação dos direitos humanos das meninas e mulheres, diz OMS

Apesar de se afirmar perturbado, o pai da criança aceita a morte da filha, acredita que ela foi “levada por Alá” e defende a prática. “As pessoas na área estão satisfeitas com isso. A mãe dela consentiu. Temos visto os efeitos, mas é uma cultura do país em que vivemos”, disse.

A mutilação genital feminina envolve a remoção de parte ou da totalidade do clítoris e dos lábios vaginais, geralmente como um ritual de passagem. O corte é muitas vezes realizado em meninas com idades inferiores a 15 anos, podendo resultar em sangramentos, infeções, problemas urinários e complicações na gravidez, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a OMS, mais de 200 milhões de raparigas e mulheres foram genitalmente mutiladas em cerca de 30 países de África, Médio Oriente e Ásia. Trata-se de uma violação dos direitos humanos das meninas e mulheres, sublinha a organização.