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Internacional

Países do G20 alertam para ameaça das tensões comerciais no crescimento mundial

EITAN ABRAMOVICH/GETTY IMAGES

Participantes na reunião em Buenos Aires que juntou os 20 países mais industrializados do mundo reconheceram também a necessidade de “reforçar o diálogo e as ações para limitar os riscos, e reforçar a confiança” nas economias dos países. França fez um apelo direto aos EUA, pedindo-lhes que deixem a “lei da selva” e respeitem as regras do multilateralismo

Os 20 países mais industrializados do mundo concluíram este domingo, em Buenos Aires, na Argentina, que o crescimento mundial "está robusto", mas ameaçado, "a curto e médio prazo, pelo aumento das tensões comerciais e geopolíticas".

No comunicado final da reunião, que se iniciou sábado e terminou este domingo, os participantes reconheceram também a necessidade de "reforçar o diálogo e as ações para limitar os riscos, e reforçar a confiança" nas economias dos países.

Estas conclusões estão na mesma linha das declarações da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que já tinha alertado para o impacto da guerra comercial sobre o crescimento económico mundial, durante a abertura da reunião com ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20.

A reunião esteve marcada pela decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de reforçar a sua política protecionista, através da aplicação de tarifas aos seus parceiros comerciais, sobretudo a China.

Os ministros das Finanças expuseram o aumento dos riscos económicos de curto e médio prazo, apontando "as recentes vulnerabilidades financeiras, o aumento das tensões comerciais e geopolíticas" e o "crescimento estruturalmente débil, particularmente em algumas economias avançadas".

Com o protecionismo como grande tema de fundo, os participantes reafirmaram as conclusões alcançadas na cimeira de Hamburgo do ano passado, quando atingiram um compromisso com o comércio livre, destacando que estavam a trabalhar para "fortalecer" a contribuição do comércio para as suas economias.

Sobre as mudanças a fazer — outro dos temas que tem gerado maiores fricções no panorama internacional — as nações do G20 manifestaram a intenção de "comunicar claramente as suas ações de política macroeconómica e estrutural".

Reiteraram este domingo o compromisso assumido anteriormente, ao afirmarem que a política monetária "irá continuar a assegurar a estabilidade". "Vamos continuar a utilizar todas as ferramentas para apoiar um crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo", lê-se no comunicado final.

Sobre as economias emergentes, os ministros presentes enfatizaram que, se muitas delas "se encontram agora melhor preparadas para se ajustarem às mudanças das condições externas", ainda "enfrentam desafios como a volatilidade dos mercados e a reversão de fluxos de capital".

O G20 assinalou que as infraestruturas são "um dos pilares do crescimento e desenvolvimento", e esperam gerar projetos atraentes para investidores privados, uma área em que o grupo espera "avanços críticos" até ao final do ano, quando os presidentes das nações membro se encontrarem também em Buenos Aires. Afirmaram ainda que deve ser assegurada a "ampla partilha" dos benefícios dos avanços tecnológicos no mundo.

França pede aos EUA que deixem a "lei da selva" e respeitem as regras

Paralelamente, o ministro francês da Economia e Finanças, Bruno Le Maire, pediu aos Estados Unidos que "respeitem as regras do multilateralismo" e os seus parceiros, sublinhando que o comércio mundial "não pode basear-se na lei da selva".

"O comércio mundial não pode basear-se na lei da selva e o aumento unilateral das tarifas é a lei da selva", declarou Le Maire através da sua conta do Twitter, no dia em que participa na cimeira em Buenos Aires.

"Apelamos aos Estados Unidos para que respeitem as regras do multilateralismo e os seus aliados", destacou o titular da pasta das Finanças que teve este domingo um encontro bilateral com o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin. "Tive uma boa reunião com o ministro das Finanças francês @BrunoLeMaire. Continuaremos a trabalhar juntos para combater a fuga ao fisco", escreve o representante do governo de Trump no Twitter.

Mnuchin teve também reunião com o titular da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Ángel Gurria, e com homólogos como o britânico Philip Hammond, com quem concordou "promover uma parceira económica que seja benéfica para ambas as nações".

O comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici adiantou que as diferenças no que respeita ao comércio se mantêm. "As tensões comerciais mantêm-se e podem agravar-se", disse o responsável europeu, acrescentando, no entanto, que o encontro não foi "tenso".