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Ofensiva do regime leva a retirada de mais de 400 Capacetes Brancos da Síria

SAMEER AL-DOUMY/GETTY IMAGES

Os membros do grupo de voluntários que resgata vítimas de bombardeamentos foram levados para a Jordânia através dos Montes Golã, ocupados por Israel. Dali vão para o Reino Unido, Canadá e Alemanha

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos 422 voluntários dos White Helmets (Capacetes Brancos), que resgatam vítimas de bombardeamentos na Síria, foram retirados do sudoeste do país por Israel, através da Jordânia, e vão ser acolhidos no Reino Unido, Alemanha e Canadá.

Os planos iniciais previam a retirada de 800 voluntários do grupo de resgate e das suas famílias do sudoeste da Síria, onde decorre desde junho uma ofensiva do regime sírio de Bashar al-Assad, mas a mobilização de alguns combatentes do Daesh para aquela região terá impedido a saída dos restantes.

Os membros do grupo de resgate que opera unicamente em áreas não controladas pelo regime foram levados para a Jordânia através dos Montes Golã, ocupados por Israel, durante a noite de sábado para domingo. A sua retirada do país deu-se a pedido do Reino Unido, EUA e outros países europeus, que alegaram razões humanitárias.

Os Capacetes Brancos (oficialmente, o grupo de Defesa Civil da Síria) descrevem-se como um grupo de cerca de três mil voluntários que ajudam a salvar a vida de pessoas nas zonas de guerra e referem ser apartidários, mas os apoiantes do Presidente sírio Bashar al-Assad, bem como o seu aliado russo, dizem que o grupo apoia os rebeldes e tem ligações a grupos jiadistas.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa) afirmaram ter “concluído uma missão humanitária para resgatar pessoas que corriam sérios riscos de vida”, ressalvando, contudo, que Israel mantém “uma política de não intervenção no conflito sírio”. O Governo da Jordânia, onde os voluntários vão permanecer temporariamente numa “área restrita” enquanto aguardam autorização para viajar para o Reino Unido, Canadá e Alemanha, confirmou, por sua vez, ter autorizado “as Nações Unidas a organizar a retirada dos voluntários e das suas famílias”.

Num comunicado conjunto citado pela BBC, Jeremy Hunt, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros (sucedeu no cargo a Boris Johnson) e Penny Mordaunt, secretária do Desenvolvimento Internacional, garantem que os voluntários “serão protegidos tanto quanto possível”. “Os Capacetes Brancos foram alvo de ataques e considerámos que, nas circunstâncias atuais, necessitavam de proteção imediata. Reconhecemos o trabalho corajoso e altruísta que fizeram para salvar todos os sírios, independentemente do lado do conflito em que estes estavam.”

Mais de 200 Capacetes Brancos morreram desde que o grupo de voluntários foi criado, em 2013. O grupo foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz, em 2016.