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Alegada espia russa ter-se-á encontrado com funcionários do Banco Central dos EUA e do Departamento do Tesouro

STR/GETTY IMAGES

As reuniões, até agora envoltas em grande secretismo, revelam um círculo mais amplo de ligações que Marina Butina, acusada de conspirar contra o Governo dos EUA, terá tentado cultivar com líderes políticos americanos e grupos de interesse específicos

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Maria Butina, a alega espia russa que está a ser acusada de conspirar contra o Governo norte-americano, terá tido mais contactos em Washington do que inicialmente se pensava, tendo-se encontrado em 2015 com dois funcionários americanos, um do Banco Central dos EUA e outro do Departamento do Tesouro.

As reuniões estão documentadas num relatório do centro de estudos em Washington que as organizou e a que a agência de notícias Reuters teve acesso. Em abril 2015, Marina Butina, que está detida nos EUA desde 15 de julho, por ter alegadamente tentado infiltrar-se numa organização americana que se julga ser a Associação Nacional de Armas (NRA, na sigla inglesa) e influenciar a política americana em benefício da Rússia, terá então viajado para os EUA acompanhada por Alexander Torshin, à época vice-presidente do Banco Central Russo.

Os dois ter-se-ão encontrado com Stanley Fischer, então vice-presidente da Reserva Federal (Banco Central) dos EUA, e Nathan Sheets, à época sub-secretário para os Assuntos Internacionais no Departamento do Tesouro, para discutir, em reuniões separadas, as relações económicas entre a Rússia e os EUA, de acordo com o relatório do Center for the National Interest, um think tank relativamente pró-Rússia sediado em Washington. O documento refere ainda que os encontros ajudam a “reunir figuras importantes das instituições financeiras dos EUA e da Rússia”.

À Reuters, Stanley Fischer confirmou ter-se encontrado com Butina e Alexander Torshin para discutir “o estado da economia russa” e o novo papel de Torshin — para quem a alegada espia russa trabalhava, servindo como sua tradutora em vários eventos em Washington — como vice-presidente do Banco Central Russo.

As duas reuniões, até então envoltas em grande secretismo, revelam um círculo mais amplo de ligações que Maria Butina terá tentado cultivar com líderes políticos americanos e grupos de interesse específicos. Na quarta-feira passada, um juiz federal decidiu a favor dos procuradores norte-americanos que pediram a detenção da alegada agente do Kremlin até ao seu julgamento, alegando que haveria perigo de fuga para o estrangeiro.

Em comunicado divulgado no sábado, Sergei Lavrov, ministério dos Negócios Estrangeiros russo, informava ter exigido ao secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, durante uma conversa por telefone, para libertar Maria Butina, uma vez que esta terá sido detida com base em “acusações fabricadas”.

Os EUA têm, contudo, uma versão diferente desta conversa. A descrição do departamento de Estado não faz qualquer menção à detenção de Butina, referindo apenas que a chamada telefónica serviu para discutir temas como “o conflito civil na Síria, o contraterrorismo e o diálogo entre empresas americanas e russas”.