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Facebook investiga outra empresa de análise de dados suspeita de utilizar informação de forma indevida

LOIC VENANCE/GETTY IMAGES

A empresa, sediada em Boston, nos EUA, tem acesso a mais de um bilião de publicações feitas no Facebook, Instagram, Twitter, Tumblr e outras redes sociais. Entre os seus clientes estão o Governo dos EUA e da Turquia e uma organização russa sem fins lucrativos com ligações ao Kremlin

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Depois do escândalo que envolveu a empresa Cambridge Analytica, o Facebook suspendeu outra empresa de análise de dados, a Crimson Hexagon, enquanto investiga se foram usados dados de utilizadores da rede social de forma indevida.

A empresa, sediada em Boston, nos EUA, tem acesso a mais de um bilião de publicações feitas no Facebook, Instagram, Twitter, Tumblr e outras redes sociais, conforme explica no próprio site. Recorre à inteligência artificial e à análise de imagens para monitorizar as redes sociais e fornecer aos seus clientes dados sobre a perceção pública a respeito das suas marcas.

A suspensão da empresa ocorreu na sequência de uma investigação do jornal norte-americano “Wall Street Journal”, que questionou o Facebook sobre os seus contratos com o Governo dos EUA e da Turquia, e com uma organização russa sem fins lucrativos com ligações ao Kremlin.

“Não permitimos que sejam usadas ferramentas de vigilância com base em informação disponível no Facebook ou no Instagram. Levamos estas alegações a sério e suspendemos estas aplicações enquanto estamos a averiguar”, afirmou um porta-voz do Facebook na sexta-feira, acrescentando porém que, até ao momento, não têm informações de que a empresa americana tenha obtido informações de “forma indevida”.

A Crimson Hexagon foi fundada em 2007 por Gary King, diretor do Institute for Quantitative Social Science da Universidade de Harvard. Em abril, o Facebook anunciou uma colaboração entre King, a rede social e outros académicos que iria, conforme foi explicado na altura, permitir a investigadores aceder a dados do Facebook para estudar o impacto da rede social em eleições.

Numa publicação feita num blogue, na sexta-feira, Chris Bingham, diretor do departamento de tecnologia da empresa, fez questão de distinguir entre a Cambridge Analytica, que recolhe informação de utilizadores do Facebook, e a Crimson Hexagon, que terá apenas acesso a dados que estão ao alcance de qualquer um nas redes sociais. “A Crimson Hexagon só permite a clientes governamentais usar a plataforma em casos muito específicos. Não é permitido o controlo sobre utilizadores em nenhuma circunstância”, disse ainda o diretor.

Segundo informações públicas sobre contratos do Governo dos EUA, a Crimson Hexagon trabalhou já para várias agências governamentais, incluindo o departamento de Estado, a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, na sigla em inglês), o Exército dos EUA e os serviços secretos americanos.

De acordo com o “Wall Street Journal”, a organização russa Civil Society Development Foundation, que tem ligações ao Kremlin, assim como o Governo turco, pagaram para usar as ferramentas da empresa americana — a primeira para avaliar a perceção pública a respeito de Vladimir Putin, Presidente russo, e o segundo para analisar a reação à sua decisão, em 2014, de bloquear o acesso ao Twitter.