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Putin terá proposto a Trump a realização de um referendo nas zonas separatistas da Ucrânia

Getty

Vladimir Putin tem intenção de apoiar a realização de um referendo no leste da Ucrânia no qual os habitantes possam optar (ou não) pela autonomia - ainda que sob controlo último de Kiev. Esta sexta-feira, o Governo russo disse estar aberto a discutir uma possível visita do Presidente Vladimir Putin a Washington, depois do surpreendente convite, lançado esta quinta-feira, pelo homólogo norte-americano Donald Trump

Vladimir Putin, Presidente da Rússia, propôs a Donald Trump um referendo à situação do leste da Ucrânia na reunião com o Presidente dos Estados Unidos, esta segunda-feira, em Helsínquia. Quem avança a notícia é a Bloomberg que falou com duas pessoas presentes num encontro à porta fechada entre Putin e vários embaixadores e diplomatas russos. Putin terá dito que concordou em não discutir publicamente o assunto enquanto Trump estivesse a considerar essa opção e essa terá sido a razão para que nenhum dos chefes de Estado tenha referido o dossiê “Ucrânia” nas declarações que fizeram aos jornalistas depois do encontro.

A proposta tem como intenção a resolução do conflito, que já dura há mais de quatro anos, nas regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk às quais o Governo ucraniano já ofereceu a possibilidade de autonomia mas sob jurisdição de Kiev. Há partes de ambas as regiões que são controladas por separatistas apoiados pela Rússia e ambas realizaram referendos, em 2014, que resultaram no voto favorável à independência das regiões da Ucrânia, coisa que a comunidade internacional não reconheceu.

Putin alegadamente propôs uma consulta ao “estatuto” de ambas as regiões mas mediada pela comunidade internacional. Esta proposta de Putin, diz a Bloomberg citando fontes próximas do Kremlin, não seria apenas uma reedição dos referendos de 2014 e sim uma consulta à autonomia sob Kiev - coisa que Moscovo ainda não terá discutido com os líderes das “repúblicas rebeldes”.

Putin nos Estados Unidos?

O abrir de portas a uma visita de Putin à Casa Branca foi confirmado pelo embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, citado pela agência “Associated Press”, à qual assegurou que a “Rússia está sempre disponível a tais propostas” e “pronta para discutir o tema”.

O convite de Trump surgiu após o encontro com Putin em Helsínquia, na segunda-feira, no qual terão conversado sobre os conflitos na Ucrânia e na Síria, bem como sobre o desarmamento nuclear, tudo à porta fechada. Uma hipotética viagem do Presidente russo a território americano, no outono, será agora debatida pelo Kremlin.

Antonov considera a cimeira entre os dois líderes na Finlândia um “momento-chave” para a política internacional e refutou as suspeitas de que tenha sido alcançado qualquer “acordo secreto”. O embaixador em Washington acredita, contudo, que as conversações devem permanecer “discretas” para que possam ser logrados resultados “efetivos”.

O diplomata de 63 anos denunciou igualmente um “ódio anti-russo” nos Estados Unidos e reiterou que o país não teve qualquer interferência durante as eleições presidenciais norte-americanas de 2016, assim como nega qualquer envolvimento do Governo no caso do assassinato do espião Sergei Skripal, no Reino Unido.

Através da rede social "Twitter", Donald Trump manifestou estar "desejoso" por um segundo encontro, no qual possam "começar a aplicar algumas das coisas discutidas". O chefe de Estado americano escreveu ainda, na mesma publicação, que a cimeira em Helsínquia, realizada no Palácio Presidencial, foi um "grande êxito, exceto para o verdadeiro inimigo do povo, os 'Media de Notícias Falsas'".