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Já deu pelas mudanças no WhatsApp? O que se passa na Índia está por trás disso

Anadolu Agency

A empresa norte-americana, detida pelo Facebook, ativou na quinta-feira uma nova funcionalidade: cada pessoa só pode reencaminhar uma mensagem para 20 grupos de cada vez. Na Índia, onde foram mortas 24 pessoas depois de mensagens e vídeos reencaminhados em grupos de WhatsApp, será mais apertado

O WhatsApp está a mudar. A aplicação de mensagens usada por mais de 1.200 milhões de pessoas por todo o mundo tem estado debaixo de fogo depois de ser associada a linchamentos que desde abril já mataram 24 pessoas na Índia. E tudo porque mensagens e vídeos falsos sobre raptos de crianças foram encaminhados para um sem fim de grupos, cujos participantes, por sua vez, reencaminhavam para outros e por aí fora.

A empresa norte-americana, detida pelo Facebook, ativou na quinta-feira uma nova funcionalidade: cada pessoa só pode reencaminhar uma mensagem para 20 grupos de cada vez, conta o "El País". Na Índia, a abordagem será mais agressiva: será apenas possível reenviar mensagens a cinco grupos de cada vez, sendo que é eliminada a opção de envio rápido -- “Na Índia, onde as pessoas encaminham mais mensagens, fotos e vídeos do que noutro país qualquer no mundo, estamos a testar um limite mais reduzido”, explicou a empresa num comunicado.

Outra questão corrigida, já observada por vários utilizadores em Portugal, é o “selo” que identifica as mensagens que têm proveniência noutros grupos, ou seja, que não são originais. Nos grupos já se veem bastantes mensagens, fotos ou vídeos nos quais, em cima, diz “reencaminhada”. Isto serve para quem é menos informado e mais suscetível a informação não confirmada não assumir que as mensagens dos familiares ou amigos são originais ou produzidas por aquelas pessoas em quem confiam.

PRAKASH SINGH

Segundo o "New York Times", existem qualquer coisa como 250 milhões de utilizadores de WhatsApp na Índia. No terreno, tanto as autoridades como o Governo (e o WhatsApp, na imprensa) tentaram travar os rumores e as mentiras difundidas através da aplicação. “Não conseguimos competir [com a aplicação]”, admitiu um governante.

Essas campanhas e o combate às “notícias falsas” não conseguiram salvar a vida a Mohammad Azam, um engenheiro da Google, de 32 anos, que terá sido a última vítima dos linchamentos motivados por informações falsas recebidas pela população no WhatsApp. No domingo, Azam e dois amigos estavam de regresso a Hyderabad depois de visitarem um conhecido em Bidar. O "erro" dos três amigos foi oferecerem chocolates a crianças, que por ali andavam nas imediações de uma escola. A multidão, inflamada e alertada pelas mensagens recebidas entretanto, mataram Azam ali mesmo. Os amigos ficaram feridos, tal como três polícias que tentaram travar o linchamento.