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Justiça espanhola recusa extradição de Puigdemont

David Ramos/Getty

Tribunal Supremo espanhol rejeita aceitar a extradição do ex-líder catalão para ser julgado apenas pelo crime de peculato (desvio de fundos públicos)

Uma semana depois da decisão do tribunal alemão de Schleswig-Holstein, a Justiça espanhola rejeitou esta quinta-feira a extradição de Carles Puigdemont. O juiz do Supremo Tribunal espanhol, Pablo Llarena, manifestou-se em desacordo com a acusação imputada ao ex-líder catalão de crime de peculato (desvio de fundos públicos) e não o delito de rebelião, o mais grave segundo a acusação da justiça espanhola.

O magistrado lamentou a “falta de compromisso” e a “indevida intromissão” por parte do tribunal germânico, sublinhando que a sua decisão poderia ter “abalado a ordem constitucional espanhola”, refere o “El País”, que cita o auto do juiz.

“A decisão do tribunal alemão parte de uma conclusão fechada de como se desenrolaram os acontecimentos e quais foram as intenções que poderam guiar os acusados. Ao atuar desta forma,o tribunal alemão adiantou um juízo que não é coerente com a acusação e fá-lo com base numa opinião desacertada”, afirmou o juiz.

O magistrado decidiu também retirar as ordens de detenção europeias contra Carles Puigdemont e outros independentistas catalães. A justiça espanhola quer assim continuar a poder julgar Puigdemont pelos crimes de rebelião e sedição.

Na quinta-feira passada, Puigdemont congratulou-se com a decisão da justiça alemã, salientando que o juiz lhe deu razão. “Derrotámos a principal mentira sustentada pelo Estado . A justiça alemã nega que o referendo de 1 de outubro tenha sido uma rebelião”, escreveu o ex-líder independentista no Twitter.

Foi no final de outubro de 2017 que o ex-líder catalão fugiu para a Bélgica, depois de o Governo central ter decidido intervir na Catalunha. O ex-presidente do executivo catalão foi detido mais tarde pelas autoridades alemãs, saindo depois em liberdade sob fiança.