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A TIME parou o mundo com mais uma das suas capas. Qual é a história por detrás desta fotografia?

A fotografia foi alterada para que as pessoas fossem obrigadas a parar, olhar e pensar, diz a autora do trabalho

TIME Magazine

A explosão do vaivém Challanger, Ronald Reagan desenhado a óleo, Hitler como homem do ano, o príncipe Carlos em pop-art com a pergunta: "É Charles necessário?". Estas foram algumas das capas mais marcantes da revista TIME ao longo dos últimos 100 anos. Esta semana, a publicação voltou a surpreender com uma fotografia que mistura os traços de Donald Trump e Vladimir Putin

Ana França

Ana França

Jornalista

A revista TIME é conhecida pelas suas capas chocantes, polémicas, frontais e, muitas vezes, icónicas. Na semana passada, a publicação fez capa com a palavra “Democracia” feita de pedra e a colapsar, como uma ruína da Grécia Antiga. Esta semana prende o olhar por, durante uns segundos, não se conseguir reconhece quem está na capa.

É normal que isto suceda, porque a fotografia não é a de uma, mas duas pessoas. As fotografias de Vladimir Putin e Donald Trump foram misturadas como tintas e o resultado é uma outra pessoa, com características físicas de ambos. “Perturbador” foi dos adjectivos mais repetidos nas legendas dos milhares de partilhas que a capa teve esta quinta-feira nas redes sociais.

A revista chega numa altura em que o mundo todo fala da reunião entre o Presidente dos Estados Unidos e o Presidente da Rússia, e o quão alinhados pareceram nas suas respostas às perguntas dos jornalistas no final do encontro.

Quem assina a história é Brian Bennett que explica porque é que o encontro ainda está a ter repercussões nos corredores políticos do Congresso. “Um ano e meio depois de ter sido eleito, a afinidade de Trump e Putin é um enigma que ainda não foi explicado. Trump está dorido com a ideia de que a interferência russa possa manchar a sua vitória, dizem as pessoas que lhe são próximas, e não concebe que esse possa mesmo ter sido o caso, independentemente de se saber se isso influenciou ou não o resultado final”, lê-se na peça principal.

Alguns dos republicanos mais críticos de Trump apelidaram a reunião com Putin, na qual o Presidente dos Estados Unidos disse acreditar no líder russo quando este garante que não teve qualquer influência nas eleições presidenciais norte-americanas, de “traição” e até de “razão para a destituição” de Trump. “Ele vê tudo sob uma lente política, dizem as pessoas com quem a TIME falou, incapaz, intencionalmente ou não, de distinguir entre a questão de conluio entre a sua campanha e os russos - que nega - e a questão de saber se a Rússia tentou ou não influenciar as presidenciais no geral”, acrescenta o jornalista.

Como forma de representar este conflito, a fotógrafa Nancy Burson fundiu os rostos de Putin e de Trump numa imagem estática e num vídeo (em baixo) porque acredita que esta é uma forma de “fazer as pessoas parar e pô-las a pensar” nas parecenças entre os dois líderes. “O meu trabalho sempre se focou naquilo que podemos fazer para que as pessoas vejam as coisas que já existem de uma forma diferente. Combinar dois rostos é uma forma de vermos coisas que não víamos antes”, disse a Burson à página da TIME.

Nancy Burson é uma conhecida fotógrafa norte-americana que já há mais de 30 anos tinha aparecido na lista dos 100 fotógrafos mais influentes da História da revista TIME. O seu trabalho, em conjunto com cientistas do MIT, levou ao desenvolvimento de uma tecnologia de composição de rostos que ainda hoje é utilizada pelo FBI, por exemplo, para determinar a aparência atual de pessoas desaparecidas há vários anos.