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Internacional

Tunísia recusa acolher barco com cerca de 40 migrantes, incluindo grávida de seis meses

JJ Massey/EPA/Getty Images

Inicialmente, as autoridades aceitaram abrir o porto de Sfax, mas depois recuaram na decisão. O navio contactou as autoridades de Malta e de Itália, que também recusaram categoricamente. Um membro da tripulação alerta que a comida só dará para dois dias e que lhes restam apenas seis garrafas de água

Um barco tunisino de uma companhia de gás, que resgatou cerca de 40 migrantes, está bloqueado na costa tunisina há seis dias. Segundo o site InfoMigrants, as autoridades da Tunísia, Itália e Malta recusam-se a abrir os seus portos para acolher os migrantes. “Estamos presos no mar. Estamos exaustos”, disse esta terça-feira um membro da tripulação.

Na semana passada, uma embarcação que transportava migrantes do Egito, Mali, Nigéria e Bangladesh saiu da Líbia para tentar chegar à Europa. Após cinco dias à deriva, “sem comer nem beber”, e já com o motor avariado, os migrantes aproximaram-se de uma plataforma de gás ao largo da costa da Tunísia. Os funcionários da companhia que faz a gestão da plataforma localizaram o barco e um dos navios de abastecimento da empresa saiu em auxílio dos migrantes.

A tripulação do navio contactou as autoridades tunisinas, que inicialmente aceitaram abrir o porto de Sfax. Contudo, de acordo com o Fórum Tunisino para os Direitos Económicos e Sociais (FTDES), uma organização não-governamental de apoio a migrantes, as autoridades recuaram na decisão e recusam-se agora a abrir os seus portos. O navio contactou então as autoridades de Malta e de Itália, que também recusaram categoricamente.

Mulher grávida de seis meses e homem ferido a bordo

“A Tunísia recusa-se a acolher estes migrantes bloqueados no mar porque não se quer transformar num ‘porto seguro’ de referência para os países europeus”, revelou um dos membros do FTDES. Desde o encerramento dos portos italianos e malteses a navios humanitários, outros países ao redor do Mar Mediterrâneo – como a França, a Tunísia e Marrocos, por exemplo – temem tornar-se uma zona de desembarque maciço de migrantes, acrescenta a InfoMigrants.

Desde o resgate, os membros da tripulação, sem ajuda externa, têm de partilhar as suas refeições com os migrantes. Um deles afirmou que a bordo seguem um homem ferido e uma mulher grávida de seis meses, alertando que a comida só dará para dois dias e que lhes restam apenas seis garrafas de água.